Carro a etanol é a solução antes dos elétricos

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Não tem sido uma tarefa fácil, para a indústria, encontrar uma maneira de reduzir a distância — que tende a ficar cada vez maior — entre os carros produzidos no Brasil e os que já estão disponíveis em regiões desenvolvidas. Na Europa, por exemplo, híbridos e elétricos representarão 90% das vendas de veículos até o fim da década.

A expectativa dos europeus é ter só modelos eletrificados à venda em 2035, conforme aponta um recente estudo do Boston Consulting Group (BCG). Já o Brasil, segundo esse levantamento, teria, no mesmo ano, apenas 33% de veículos eletrificados — no cenário mais provável. Hoje estamos com 1,5%.

O trabalho do BCG serviu para os fabricantes de veículos saírem, mais uma vez, em defesa do etanol e indicarem o biocombustível como a melhor alternativa para o país assumir um papel relevante na descarbonização dos transportes.

Pelo raciocínio da indústria, prorrogar a produção de carros flex daria fôlego às fábricas no Brasil, até o país estar preparado para participar do processo de eletrificação. O custo de desenvolvimento e de produção tende a diminuir com o tempo, abrindo espaço para a indústria em países emergentes.

O estudo do BCG indica a possibilidade de reduzir em até 15% o volume de emissões até 2035 apenas por meio do uso mais intensivo de etanol na frota circulante.

Mas é a partir desse cálculo que começam os problemas. Para intensificar o uso do etanol na frota de veículos em circulação será preciso não apenas vender mais carros novos, com motores preparados para funcionar com esse combustível, como tirar das ruas os mais velhos, que usam só gasolina.

Isso pressupõe o protagonismo do governo para fazer valer a antiga legislação que determina a inspeção veicular regular dos carros. Junto com um programa de estímulo à troca por carros novos, a inspeção é o único meio de tirar das ruas os veículos mais poluentes.

Mais uma vez, a indústria se vê de mãos atadas para resolver uma equação que depende, majoritariamente, do poder público. Com o estudo do BCG em mãos, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tenta estabelecer diálogo com o governo.

Mas esta não é a primeira vez — tampouco será a última — que esse setor tem dificuldades com o governo. Em demandas anteriores e mais simples, os dirigentes das marcas não obtiveram o sucesso desejado.

A equipe do governo eleito sob uma bandeira liberal e favorável à iniciativa privada não tem avançado muito em temas setoriais que requerem planejamento.

No caso da indústria automobilística, o país carece da definição de novas leis de tributação que favoreçam a entrada de energias mais limpas. Como acontece na Europa e em qualquer outro lugar do planeta, essa indústria não investe na redução de poluentes enquanto não for pressionada pelos governantes.

Por aqui, o caminho parece inverso. Na corrida para evitar que o parque industrial fique obsoleto, são as montadoras que tomam a iniciativa de procurar o governo. Só nos resta torcer para que movimentos como esses tragam algum resultado. Todos os agentes envolvidos nessa cadeia agradecem.  Portal Auto Esporte