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Energia Eólica: capacidade para abastecer 25% da matriz energética no Brasil

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A energia produzida pelos ventos está em crescente ampliação no Brasil. A expectativa da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica ) é que esta fonte produzirá um quarto da matriz energética do país, isto é, entre 20 a 25% da energia consumida no Brasil por volta de 2030. Mas ressalta que este recorde depende das contratações dos leilões. Hoje, esta energia representa 8% da matriz, na qual a principal fonte é a energia de usinas hidrelétricas, com 61%.

“Até 2020, o Brasil terá pelo menos 17,5 GW instalados, considerando apenas os leilões já realizados. Em dezembro, teremos dois leilões, um A-4 e um A-6, e esperamos aumentar mais este valor projetado, já que as eólicas têm se mostrado a fonte mais competitiva em leilões recentes”, explica Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica.

Desenvolvimento

O crescimento da fonte eólica vem chamando a atenção. Em 2005, a capacidade instalada era de 27,1 megaWatts (MW). Já dez anos depois, em 2015, chegou a 8.727,1 MW. E já em agosto de 2017, a energia eólica brasileira atingiu um novo patamar e foi responsável pela por 10% de energia da matriz elétrica brasileira, com 12.996,7 de capacidade instalada e 5.825 MW/médios, de acordo com a Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE) e o Ministério do Minas e Energia (MME).

De acordo com a ABEEólica esta foi a primeira vez que a fonte atinge os dois dígitos de representação na matriz. O Brasil tem atualmente mais de 12,3 GW de capacidade instalada. Confira a evolução do setor no gráfico.

O Brasil também se destacou no cenário internacional e assumiu o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica no mundo, ultrapassando o Canadá, que caiu para a oitava posição. Os dados são do “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2016” produzido pelo MME.

“A fonte eólica está entrando numa nova fase. Já é absolutamente claro para a sociedade como um todo, para os técnicos que decidem o futuro do setor e também para os integrantes do governo que a eólica não apenas é uma escolha sustentável e financeiramente vantajosa, já que apresenta grande competitividade nos leilões, mas também é uma escolha segura. O que o Brasil mais precisa é de uma matriz diversificada e limpa, sendo que a inclusão de mais eólicas é fundamental nesse processo. Termos mais energia eólica no sistema tem se mostrado possível especialmente considerando que as ferramentas para trabalhar com a variabilidade natural da fonte eólica evoluíram muito nos últimos anos e hoje o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) atua com altíssima previsibilidade em relação à geração que vem dos ventos. Este cenário nos mostra que a eólica é uma fonte madura, segura e pronta para se expandir ainda mais na matriz”, explica Elbia Gannoum.

Histórico

O arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, recebeu em 1992 a operação comercial do primeiro aerogerador instalado no Brasil e na América do Sul. A turbina eólica de 225 kW, foi resultado de uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE) e a Companhia Energética de Pernambuco (CELPE).

Devido ao alto custo da tecnologia, até 2002, esta fonte pouco evoluiu. Durante a crise energética de 2001, houve a tentativa de incentivar a contratação de empreendimentos de geração de energia eólica no país. Criou-se então, o Programa Emergencial de Energia Eólica – PROEÓLICA. Mas sem êxito, o mesmo foi substituído pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, o PROINFA.

O primeiro leilão de comercialização de energia voltado exclusivamente para a fonte eólica foi realizado em 2009. Já em 2010 foram realizados o 3º Leilão de Energia Reserva (LER) e o Leilão de Fontes Alternativas (LFA) no qual foram contratados 2GW de fonte eólica. Esses leilões não trabalhavam mais com o modelo exclusivamente eólico, mas sim contemplavam diversas fontes renováveis competindo entre si para negociar sua energia no leilão.

Distribuição

Atualmente, existem no Brasil 490 parques. Os parques instalados são  subdivididos em três categorias – aptos a operar, operando em teste e operando comercialmente. A capacidade instalada no início de outubro de 2017 foi 12,33 GW. Destes, quase 27%, isso é, 131 estão no Rio Grande do Norte. Seguido da Bahia, com 88 parques.

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia