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Presidente da Ubrabio diz que programa de biodiesel está sendo desmerecido pelo governo

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Durante os debates na 15ª Conferência BiodieselBr que começou segunda-feira (08.11) no hotel Tívole Mofarrej, em São Paulo, o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés, lamentou que o programa de produção e uso deste biocombustível não esteja recebendo a atenção devida do governo.

“Temos um programa fantástico que está sendo desmerecido nos últimos anos no país. O setor está sofrendo com a falta de conhecimento e de compreensão da sua importância, o que levou a cortes no programa do biodiesel” disse Juan Diego.

O dirigente da Ubrabio e também um dos mais importantes produtores de biodiesel do país, Juan Diego Ferrés estimou em mais de 1,1 bilhão de litros do biocombustível deixaram de ser produzidos este ano no país em razão das várias reduções nos percentuais de mistura do biocombustível ao diesel fóssil, como prevê a lei.

“Não é razoável e nem aceitável a forma ineficaz como isso vem sendo tratado, prejudicando não apenas o biodiesel, mas também o meio ambiente, a qualidade do ar e as cadeias produtivas adjacentes”, ressaltou Ferrés.

O industrial lembrou que para cada litro de biodiesel são produzidos quatro quilos de farelo de soja que alimentam centenas de unidades produtoras de alimentos, de proteínas animais, que empregam milhões de pessoas e todos os anos alimentam a sociedade brasileira, em particular, os mais pobres.

“É uma vergonha que nós tenhamos deixado de produzir um bilhão e cem milhões de litros de biodiesel. É uma coisa louca, desesperadora, ver os navios de grãos de soja partindo todos os dias dos portos brasileiros sem industrialização”, lamentou o presidente da Ubrabio.

O empresário lembra que as mais de 50 indústrias produtoras adquiriram matérias primas, fizeram contrato de agricultores familiares, importaram insumos, contrataram pessoal e fizeram investimentos significativos em unidades de 14 Estados, mas viram o governo reduzir o percentual de mistura que, pela legislação, deveria estar desde março em 13%.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor com a redução do percentual de mistura ao longo de 2021, o industrial acredita no futuro do programa de produção e uso de biodiesel (PNPB).

“Os desafios são grandes. Mas nós somos resilientes, vamos crescer futuramente e contribuir para que o Brasil continue explorando seus melhores potenciais naturais e colabore para a estabilidade das emissões de carbono e a mitigação do aquecimento global”, disse Juan Diego Ferrés.

Comercialização

Durante os debates sobre os grandes desafios do biodiesel em 2022 e mediados pelo diretor do Portal BiodieselBr, Miguel Ângelo, o presidente da Ubrabio também lamentou que há menos de dois meses da vigência do novo modelo de comercialização do biodiesel, que prevê a substituição dos leilões público pela venda direta aos distribuidores, o governo não saiba como serão as regras tributárias para a comercialização.

“É inacreditável. A tributação do biodiesel é regulada por entes federais e estaduais e não sabemos até agora como serão estas regras, como será cobrado o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)”, alertou Diego Ferrés.

FPBio

Durante a Conferência BiodieselBr, o presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPbio), deputado federal Pedro Lupion (DEM-PR), defendeu o retorno do crescimento do percentual de mistura do biodiesel ao diesel fóssil como prioridade do setor.

Lupion entende que há ambiente para o país retornar ao incremento da mistura e também um cenário favorável – principalmente diante da COP26 – para fortalecer a política de biocombustível.
O presidente da FPBio acrescentou que Frente apresentou proposta ao Ministério de Minas e Energia para que a Petrobrás prossiga, por um período, como entidade responsável pelos leilões de biodiesel até que as questões tributárias nestas negociações sejam resolvidas por Estados e União.

Também participou do primeiro dia de debates da Conferência Biodiesel BR a diretora de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da ANP, Symone, Araújo. Ele reconheceu que o biodiesel brasileiro leva o crivo das mais rigorosas especificações do mundo.

“Nós estamos criando mecanismos para monitorar a qualidade do diesel A e também do biodiesel puro, o B 100”, disse a dirigente da ANP. Também participaram do primeiro dia de debates da Conferência BiodieselBr os dirigentes de outras entidades do setor. UBRABIO