Foto: Embrapa Cerrados

Preço da soja inibe produção de biodiesel

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Para o produtor de biodiesel, o preço da soja ou do óleo que utilizam interfere diretamente nos preços de venda. O diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Julio Cesar Minelli, analisa que as variações que estão acontecendo no cenário nacional estão acompanhando o mercado internacional.  “Com relação ao mercado de combustível, o preço de biodiesel é fixo por dois meses depois do leilão. Essas variações dos últimos dias não vão impactar o preço fixo para as distribuidoras”, ressalta.

De acordo com Minelli, em 2015 o preço de venda do biodiesel continua aquém do necessário. Como o que baliza preço é oferta e demanda, apesar da aprovação do B7 em 2014, como houve retração de demanda de diesel em 2015 e esse comportamento se mantém em 2016, a ociosidade continua acima de 40%. “Isso acontece porque as usinas precisam continuar agindo. Para isso, continuam rodando na margem mínima ou zero – algumas até mesmo em margem negativa. Em janeiro de 2014 tínhamos 64 usinas com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em 2016 estamos com 52. Algumas acabaram ficando pelo caminho.” O diretor da Aprobio destaca que os preços acompanham o mercado. Com relação às margens dos produtores de biodiesel, se a ociosidade continuar, a perspectiva não é otimista.

O grande entrave enfrentado não se refere à falta de apoio por parte do governo, afinal, há regulações tanto da Aneel como da ANP sobre o uso do biogás para geração elétrica e para uso combustível de veículos leves e pesados. Entretanto, falta uma política pública para dar segurança aos investimentos.

Além disso, o repasse do aumento nos custos da produção agrícola chega até o consumidor. “Por estar atrelado a uma commodity, que é a soja, há esse reflexo de custo no preço. Mas um dos grandes responsáveis também foi o câmbio. Então, duas variações aconteceram: aumento do custo agrícola e aumento do câmbio, refletindo consequentemente na cadeia”, comenta o vice-presidente administrativo da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Pedro Granja.

Conforme ressalta Pedro, no que se refere aos volumes agrícolas, ainda não há estatísticas fechadas no Brasil, mas a expectativa segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que chegarão a algo próximo a 100 milhões de toneladas de soja. No caso do biodiesel, a produção em 2015 ficou em 4 bilhões de litros, também dentro das estimativas. ”Em 2016, infelizmente, o setor ainda vai continuar com capacidade ociosa e estresse de oferta, uma vez que a expectativa era de que o aumento da mistura obrigatória já ocorresse este ano. A perspectiva deve melhorar em 2017, com a sanção do Projeto de Lei 3.834/2015, estabelecendo o novo cronograma de aumentos”, diz. Como a ociosidade tem puxado os preços para baixo, junto à oferta crescente de matéria-prima e o consequente aumento da demanda por processamento, em 2016 deve haver aumento da disponibilidade de óleo no mercado.

CANAL-JORNAL DA BIOENERGIA

 

 

 

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Crédito: Nilson Konrad/LS Tractor

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