Plataforma para biocombustíveis vai garantir mais qualidade

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Juan Diego Ferrés é Diretor Industrial da Granol e presidente do Conselho Superior da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e pretende implantar uma plataforma tecnológica para o controle da qualidade do biodiesel em toda a cadeia de produção do combustível, do produtor aos postos de abastecimentos.

Ele falou com o Canal – Jornal da Bioenergia sobre a ideia. Confira.

Canal- Jornal da Bioenergia: A qualidade dos combustíveis em geral sempre foi um problema no Brasil. Em que essa plataforma pode agregar?

Diego Ferrés: Na verdade, de acordo com os dados oficiais da ANP, houve uma grande melhora na qualidade dos combustíveis no Brasil. Atualmente, o índice de não conformidade dos combustíveis situa-se entre 2 e 3% o que é similar a países como Japão, EUA e a Europa. A plataforma prevê uma melhora ainda maior, sobretudo da qualidade do biodiesel que chega às bases.

Canal: Quais os principais problemas já vistos no biocombustível brasileiro? Isso acarreta prejuízos e fechamento de mercados para o produto nacional?

Diego: A especificação do biodiesel no Brasil é a mais rigorosa do mundo. O biocombustível sai das fábricas com laudo completo, veículo a veículo, efetuado por laboratório acreditado pelo INMETRO. O problema é que, atualmente, a maior parte desse biodiesel não é analisada quando chega às bases. A plataforma proposta prevê um monitoramento mais rigoroso de todos os elos da cadeia logística. A análise “destino” é fundamental, pois daí em diante o produto perde identidade.

Canal: Com a aplicação do sistema, há previsão de aumento de preço para o consumidor final?

Diego: O custo das análises laboratoriais no preço final do diesel é de centésimos de centavos. Portanto, há um custo-benefício muito positivo imperceptível ao consumidor.

Canal: Como estão as tratativas com o Governo Federal e a ANP?

Diego: A ANP está lançando o PMQBIO, um programa de monitoramento do biodiesel e do diesel. Essa é uma boa oportunidade para implementar esse incremento de qualidade em alto nível. Mas para complementar o PMQBio, deve passar a ser normativa obrigatória.

Canal: Algum outro país possui um sistema similar?

Diego: Na verdade, mesmo no Brasil, até na compra e venda de alimentos há sistemas semelhantes. Análise do produto na saída da fábrica e na entrada do cliente. Esses conceitos são universais podendo variar apenas na forma de ser feito.

Canal: Como funcionará essa cadeia de monitoramento?

Diego: A ANP faz uso de sua governança e encaminha para laboratórios acreditados as análises de parâmetros críticos do biocombustível na entrada e na saída das bases, já que o biodiesel que sai da fábrica tem o laudo de análises completa. Desse modo, toda a cadeia logística será devidamente monitorada e não apenas o produtor de biodiesel, como é atualmente. É da maior importância a preservação da qualidade do produto final ao longo de toda cadeia mantendo o produto seco e filtrado.