Oportunidades do biogás no setor sucroenergético

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Um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro foi pauta durante o webinar “Biogás no setor sucroenergético: oportunidades e desafios”.  Especialistas debateram com empresários sobre as oportunidades de negócios do biogás voltadas para o aproveitamento dos resíduos orgânicos gerados pela indústria sucroalcooleira, e da cadeia tecnológica utilizada pelo setor no país.

O webinar foi promovido pelo Projeto GEF Biogás Brasil, que é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) como principal entidade executora. O evento contou com a participação da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Moderado pela especialista em parcerias de tecnologia da UNIDO em associação ao CIBiogás, Renata Abreu, o fórum levantou discussões sobre a expressividade do biogás no país. “Esse é um setor de vanguarda brasileiro. Ele evidencia o conceito de economia circular e bioeconomia. Pode garantir o lugar do Brasil como protagonista em bioeconomia no cenário global quando falamos em produção de energia limpa”, ressaltou a especialista.

Rafael González, diretor presidente do CIBiogás, chamou a atenção para o crescimento sustentável do setor sucroenergético. “Esse setor tem uma tradição em aproveitamento dos seus resíduos. Nós queremos construir a visão de que o biogás pode estar presente no portfólio de serviços do setor”.

Consultor da UNIDO e especialista em Gestão de Projetos do GEF Biogás Brasil, Bruno Neves também destacou a liderança do Brasil no segmento e o potencial do biogás. “Essa é uma oportunidade fantástica na qual o nosso país é pioneiro e pode se tornar o maior do mundo”.

Potencial de produção – Um estudo da ABiogás mostra que o potencial de produção de biogás do setor sucroenergético brasileiro é de 57,6 milhões de m³/dia. Em 2020, o país exportou 30,8 milhões de toneladas de açúcar, crescimento de 72% em relação ao ano anterior. Dessa forma, o setor desponta como grande potencial de geração de biogás, podendo suprir 34,5% da demanda de energia elétrica e 70% da demanda de diesel do país.

Tamar Roitman, gerente executiva da ABiogás, ressaltou os benefícios do setor. “O setor sucroenergético representa quase 50% do potencial de produção de biogás no Brasil. O país tem potencial de produzir 120 milhões de m³ por dia de biogás, isso equivale a toda a produção de gás natural. Ou seja, a gente poderia dobrar a produção de gás natural do Brasil, de uma forma descentralizada, sem depender dos gasodutos para trazer o gás natural que fica na costa. Então a interiorização desse gás permite a gente ter indústrias mais competitivas e o setor de transportes descarbonizado”.

Segundo André Elias Neto, consultor ambiental e de recursos hídricos da UNICA, a tecnologia de biodigestão amadureceu ao longo das últimas décadas no setor sucroenergético por meio das plantas de biogás comerciais. Durante o webinar, o consultor apresentou exemplos que estão em operação, como o biodigestor instalado na Usina São Martinho, instalado em 1995.

Neto ressaltou os benefícios ambientais e a competitividade do biogás. Um dos exemplos citados foi a indústria de cana de açúcar. “De acordo com o Relatório Final do Balanço Energético Nacional (BEN), de 2018, caso a produção de cana fosse aproveitada em todo o seu potencial, o sistema de produção canavieiro teria um potencial de geração de energia equivalente a 110% da energia ofertada pelo petróleo. Além disso, a redução das emissões de GEE (gases do efeito estufa) no ciclo de produção de etanol pode ser maximizada, principalmente com a produção do biometano, podendo atingir valores de emissões baixíssimos”, explica o consultor.

Oportunidades de negócios – Nicolas Berhorst, consultor da UNIDO em parceria com o CIBiogás e especialista em Mercado de Biogás pelo projeto GEF Biogás Brasil, apresentou modelos de negócios importantes no setor sucroenergético baseados na produção de energia elétrica e na monetização do biometano, que pode ser comercializado ou autoconsumido como combustível renovável. “Temos muitas oportunidades no setor de reduzir os custos com energia e diesel, diversificar o portfólio de biocombustíveis, diminuir a ‘pegada’ ambiental, emitir Créditos de Descarbonização pelo RenovaBio, entre muitos outros benefícios”, concluiu o especialista.  Assessoria de imprensa