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Evento discute como viabilizar hidrogênio como energia alternativa

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 A busca por alternativas para reduzir o uso de combustíveis fósseis e aumentar o de gás natural para produzir energia limpa e não poluente têm sido um desafio mundial. E o uso do hidrogênio na geração de energia ocupa lugar de destaque na pauta das economias mais avançadas do planeta. Indústrias automobilísticas, químicas, governos e pesquisadores vem apostando no hidrogênio para gerar energia, reduzir a emissão de CO2 e suas graves consequências ambientais O Japão, por exemplo, largou na frente e busca criar o que já batizou de sociedade do hidrogênio. Hoje, já são 240 mil residências aquecidas por esse tipo de energia, em substituição aos boilers. A meta é chegar a 2020 com 1,4 milhão de casas usando este método.

Representantes de todos esses segmentos estarão reunidos no Rio de Janeiro, de 17 a 22 de junho, para a 22ª Conferência Mundial de Energia do Hidrogênio (WHEC 2018, na sigla em inglês). Esta é a primeira vez que evento mais relevante sobre o assunto será realizado no Brasil. Trazido pela Coppe/UFRJ, a conferência deve reunir cerca de 800 participantes, de 50 países:

_ O hidrogênio já é utilizado em larga escala, hoje, em indústrias como a química, a metal-mecânica, a alimentícia, a de petróleo. Entretanto, a produção e o consumo de hidrogênio vão aumentar exponencialmente por causa do uso energético que se fará dele. Poucos países no mundo têm possibilidade de produzir grandes quantidades de hidrogênio para si e para o mundo como o Brasil. Isso porque temos água e biomassa, utilizadas para obter hidrogênio, em abundância _, adianta o professor Paulo Emílio de Miranda, coordenador do Laboratório de Hidrogênio (LabH2) da Coppe, e presidente da Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2).

Miranda é responsável pela realização desta edição da Whec no Brasil e, como coordenador do LabH2, já apresentou a terceira geração do protótipo do ônibus movido a hidrogênio, que está pronto para ser adotado pelo mercado. Mas não é só o transporte coletivo que avança em pesquisas de alternativas. Montadoras asiáticas e europeias estão trabalhando a todo vapor no desenvolvimento industrial e na comercialização de veículos a hidrogênio. A Mercedes-Benz foi pioneira no lançamento desse tipo de automóvel e, atualmente, tem a companhia de Toyota, Honda e Hyundai, que já têm também modelos lançados.

A Toyota, por exemplo, produziu o Mirai, movido a hidrogênio e células de combustível. Lançado no Japão em 2014, conta com 6 mil exemplares no mercado. O gerente da Toyota Brasil, Edson Orikassa, que também preside a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, diz que em países desenvolvidos, como Japão, EUA e os da Europa, a infraestrutura para receber estes veículos já está em andamento, com postos de distribuição de hidrogênio.

— A previsão é de que a partir de 2030 estes países já tenham infraestrutura  desenvolvida para abastecer toda a frota comercializada — afirma Orikassa, que fará uma palestra no dia 21, sobre a sociedade baseada no hidrogênio.

Há muito a ser revelado durante o encontro. O vietnamita Ngueyn Minh, por exemplo, vive nos Estados Unidos e desenvolve pesquisas sobre como o uso de pilhas a hidrogênio poderá tornar viável a vida humana em Marte. É mais ou menos o que foi retratado no filme “Perdido em Marte”, em que o personagem do ator Matt Damon foi salvo pelo hidrogênio.

Outra apresentação que promete muita surpresa é a do geólogo francês Alain Prinzhofer, da GEO4U, no dia 18. Ele está no Brasil monitorando reservas de hidrogênio natural e mostrará de que forma a geologia pode acelerar a transição do hidrogênio. É que até recentemente, acreditava-se que o hidrogênio não poderia ser encontrado na Terra em estado puro e que, para obtê-lo deveria haver uma reação da matéria-prima com o uso de uma fonte de energia.

 _ O hidrogênio natural é encontrado em todos os continentes. Há reservas na Rússia, nos Estados Unidos e na Turquia, por exemplo. No Mali, é explorado pela PETROMA e já vem sendo utilizado para gerar energia em um vilarejo perto da capital Bamako. É um projeto de sucesso, que teve mais êxito do que a exploração de petróleo _ disse Prinzhofer, adiantado que, no Brasil, os monitoramentos realizados já apontam a presença de hidrogênio natural nos estados do Ceará, Minas Gerais, Roraima e Tocantins.

A WHEC acontece desde 1976, a cada dois anos, sem interrupção. O tema da edição de 2018 será “Transformação de biomassas e de energia elétrica em hidrogênio”. A conferência  acontece 26 anos depois de o Rio de Janeiro sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) em que foram discutidos desenvolvimento sustentável e diretrizes para o século XXI. Durante o evento, além das apresentações dos palestrantes, sempre na parte da manhã, serão realizados eventos também no turno da tarde como oficinas, encontros técnicos e comerciais, workshops e eventos paralelos, como o Simpósio Mundial de Bioenergia (WBS), na segunda-feira, dia 18, e na terça-feira, dia 19. Paralelamente ao evento, será realizada a Feira Tecnológica, com estandes de expositores e patrocinadores, em que os participantes terão oportunidade de conhecer algumas das tecnologias discutidas durante o congresso de forma prática.

 

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