Estudos preveem geração de energia no oceano brasileiro

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O mundo acompanha uma desaceleração do uso de energia. Dados da  Agência Internacional de Energia (EIA) revelam que  a demanda global recuou 3,8% no primeiro trimestre de 2020, em relação a igual período no ano passado, devido aos efeitos da pandemia. Mesmo assim,  ainda assim, há previsão de crescimento de 6% da capacidade instalada acumulada por fontes renováveis no mundo.

Entre essas fontes se destaca a energia eólia.  No Brasil, por exemplo, o potencial de energia eólica apenas no solo é enorme. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) é capaz de atender três vezes o que o país precisa. Agora, o Brasil também tem a capacidade alta para produzir energia eólica offshore, isso é fora do continente.  Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o  potencial técnico da fonte eólica offshore no Brasil é de 700 GW em locais com profundidade até 50 metros.

Para desenvolver uma legislação para dessa tecnologia na costa, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela supervisão e regulamentação ambiental, realizou oficinas com discussões sobre o assunto e lançou o documento “Mapeando Modelos de Tomada de Decisão Ambiental Aplicada na Europa para Projetos Eólicos Offshore”. Com o objetivo de construir modelos regulatórios ambientais seguros e transparentes que estimulem os investimentos na geração de energia eólica offshore no país, bem como mitiguem impactos e conflitos ambientais com outras atividades que compartilham o espaço marítimo, como pesca, produção de petróleo e turismo, entre outros. A EPE também realizou um workshop interno para discutir as características do potencial eólico offshore e as melhorias regulatórias necessárias.

Para se mensurar, apenas o litoral do Nordeste brasileiro possui uma capacidade de gerar energia de 50 usinas Itaipu.  “A nossa energia eólica onshore é muito competitiva e sua abundância é um fator que explica por que o Brasil ainda não entrou no negócio eólico offshore, que é um pouco mais caro a princípio. Além disso, tecnologicamente, são projetos mais complexos que precisam de um tempo de maturação mais longo”, explica presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum.

No Brasil, a Neoenergia começou no início do ano, o licenciamento de três novos projetos para a construção de eólicas offshore no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará. Juntos, somam 9 GW de capacidade instalada em 600 aerogeradores – maiores projetos em planejamento no país.

Para Elbia, há um grande potencial a ser explorado nesta área. “Sabemos que empresas e governo público estão se mobilizando para desenvolver esse setor que, na opinião da ABEEólica, é muito importante como uma das fronteiras da energia eólica no Brasil”.

Estudos

A Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolve, com financiamento do Escritório de Pesquisa Naval Global (ONR Global), turbinas eólicas flutuantes offshore (conhecida também, em inglês, como Floating Offshore Wind Turbines – FOWTs).

“Na década passada, vimos muito esforço no campo da engenharia offshore para conceber, projetar e validar esse novo tipo de sistema flutuante. Atualmente, após muitos projetos de demonstração, a viabilidade do conceito é comprovada e, como resultado, estamos testemunhando os primeiros parques eólicos comerciais flutuantes ”, afirma o professor Alexandre Simos, que lidera o projeto.

Como as FOWTs são dispositivos relativamente novos, ainda há espaço para otimização do design. Com novos conceitos de cascos flutuantes com o objetivo de reduzir os movimentos da turbina ainda estão sendo projetados e propostos. Além disso, para tornar economicamente viável o uso de FOWTs em águas profundas (maiores que 1.000 metros), o projeto de sistemas de ancoragem otimizados, feitos de materiais leves, também será um desafio. Dados passados pela Poli