Energia dos ventos: crescimento acelerado no Brasil

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O uso da força dos ventos cresceu acelerado nos últimos anos. A energia eólica responde por aproximadamente 7% da matriz elétrica brasileira e a estimativa, considerando apenas os contratos que já estão assinados, sem contar novos leilões, é que chegue a, no mínimo, 10%.

Hoje, o Brasil conta com 9,81GW de capacidade instalada. “O potencial eólico do Brasil é de mais de três vezes o necessário para a energia do País. É importante entender, no entanto, que uma matriz elétrica deve priorizar a diversidade de fontes para a segurança do sistema. Por isso, a energia eólica ainda deve crescer muito, sem nunca zerar seu potencial, que é estimado em valores de 500 GW”, explica a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Silva Gannoum.

Atualmente existem no Brasil 392 usinas que usam a força dos ventos. A estimativa é que até 2019, atinja mais de 18 mil GW.  “O gráfico mostra a previsão para instalação de energia eólica até 2019 considerando contratações já realizadas, ou seja, no horizonte abordado há sim uma previsão de crescimento favorável”, explica Gannoum.

Evolução

Em 2015, a fonte eólica foi responsável pela geração de 21,37 TWh. Assim, a energia gerada pela fonte eólica foi capaz de fornecer energia elétrica residencial a uma população similar à da região Sul ou duas vezes à do Estado de Minas Gerais, em 2014.

O número do ano passado é 74,8% maior que a geração realizada em 2014, que foi de 12,22 TWh. A geração média de 2015 foi de 2.433,56 MW e o recorde foi em agosto, quando a geração atingiu a marca de 3.382,03 MW médios. Em termos de representatividade e abastecimento, a geração verificada pela fonte eólica foi responsável por 4% na média de toda a geração injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Os quatro estados com maior geração no período de 2015 foram Rio Grande do Norte (7,18 TWh), Ceará (4,62 TWh), Bahia (4,01 TWh) e Rio Grande do Sul (3,33 TWh).

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME) entre novembro de 2014 e novembro de 2015 a capacidade instalada do setor cresceu 56,9% em relação aos 12 meses anteriores. Apenas em 2015 foram inauguradas mais de 100 usinas eólicas no País, com investimentos de R$ 19,2 bilhões.

Essas ampliações consolidaram o Brasil como o quarto maior país em novos investimentos em 2015. A China é o país que lidera a expansão do setor, com 75,5 mil megawatts (MW) instalados (26,8 % da participação global) até final de 2012. Em segundo, está os Estados Unidos com uma capacidade eólica acumulada de 60 mil MW, o que corresponde a 21,2% do total mundial. O terceiro lugar do ranking ficou com a Alemanha, que registra uma capacidade eólica total instalada de 31,3 mil MW, o que equivale a 11,1% do acumulado mundial.

Mais barata?

No Brasil existe um sistema elétrico único, no qual a precificação para os consumidores é nacional e não regional. Assim, os custos do setor são divididos entre todos os consumidores, onde são consideradas todas as fontes de energia. “A boa notícia é que, quanto mais a eólica cresce, isso permite fazer a diferença na conta total. E é uma das justificativas para a não necessidade do acionamento recorrente de usinas térmicas, que são muito caras”, explica Elbia.

Além disso, tratando-se de benefícios energéticos, a energia eólica tem otimizado o parque gerador brasileiro, o que proporciona a redução da tarifa de energia. Em 2015, por exemplo, foram economizados para o sistema R$ 645 milhões ao evitar geração térmica de custo elevado.

Mas há uma série de outros benefícios que a energia eólica proporciona, como os ganhos com arrendamentos de terra, fixação do homem no campo, melhora da economia da região e o baixo impacto ambiental atrelado a não emissão de gases de efeito estufa.

Outro ponto importante na variação do custo da energia são os leilões.  Segundo a ABEEólica,  o preço ideal para a comercialização de uma usina eólica no mercado regulado atualmente é de R$230 por MWh. Esse valor é o segundo mais competitivo do Brasil, perdendo apenas para as grandes hidrelétricas, e um dos mais competitivos do mundo. “Para comparação mundial, isso se dá principalmente devido ao nosso sistema de comercialização que é via leilão diferente da maioria dos países que tem investimentos subsidiado”, pontua Elbia.

 

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia

 

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