Cana transgênica deve estar disponível no mercado a partir de 2018

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A partir de 2018 deverá estar disponível para comercialização a primeira variedade de cana transgênica do mundo. A produção do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) chega como um salto de produtividade e redução de custos nas lavouras. A cana-de-açúcar geneticamente modificada é resistente à broca-da-cana e está em processo de análise de biossegurança pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instância colegiada vinculada ao Governo Federal responsável pela análise técnica da biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados sob o aspecto de saúde humana, animal, vegetal e ambiental.  Os estudos e informações técnicas desta variedade foram submetidos à CTNBio em dezembro de 2015. Assim que houver a aprovação do órgão, será liberada para multiplicação pelos clientes no mercado brasileiro.

A broca-da-cana é uma lagarta que se alimenta da biomassa da planta e é o inseto que mais causa prejuízos à cana no Brasil. De acordo com Viler Janeiro, diretor de Assuntos Corporativos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a perda anual para o setor é de cerca de R$ 5 bilhões, o que significa aproximadamente 400 mil toneladas de cana que deixam de ser moídas por ano.

Viler Janeiro explica que, com a cana transgênica, o agricultor terá um custo inferior à soma dos custos de controle atuais (biológico e químico). “Além do potencial aumento de produtividade devido à redução de perdas, há ganho substancial em simplificação logística das operações da usina com controle de broca. A gestão ambiental também é melhorada devido à otimização do uso de defensivos químicos e emissões de gases efeito estufa.”

Vantagens

A nova variedade de cana controla a broca durante todo o ciclo da cultura, evitando as perdas provocadas pelo inseto e causando elevação da produtividade agrícola.  Além disso, ela evita as perdas na indústria, com maior produção de açúcar e etanol por tonelada moída. Estima-se que essa perda seja na ordem de R$ 5 Bilhões de reais por safra em todo o setor.

Outra vantagem está relacionada a simplificação das operações de controle da broca, reduzindo a logística e custos com equipamentos, água, combustível, produtos e pessoal. Outros benefícios indiretos são a redução de emissões de CO2 e ausência de impacto aos inimigos naturais das pragas, aumentando a biodiversidade do canavial.

Com relação às desvantagens, Viler Janeiro aponta que são inexistentes do ponto de vista técnico ou de segurança. Contudo, é possível observar a necessidade de investimento elevado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e na área regulatória para desregulamentação no Brasil e nos países importadores do açúcar.

Expectativa

A expectativa com relação à receptividade da nova cana é alta, já que em outras culturas a tecnologia Bt (como são chamadas as que tiveram inseridos em seu código genético genes da bactéria Bacillus thuringiensis) tem tido um alto grau de adoção. “A diferença é que o crescimento em área na cana-de-açúcar é muito lento em comparação com as outras culturas, dado pelo sistema de multiplicação e plantio da cana. Além disso, os produtores utilizam múltiplas variedades numa mesma propriedade para cobrir os diversos tipos de solo e épocas de colheita. Assim a maturidade de área ocupada pela cana GM só ocorrerá depois de muitos anos da sua introdução no mercado de cana e após o lançamento de diversas variedades de cana GM. No futuro é estimado que a maior parte da área agrícola de um produtor seja ocupada com cana geneticamente modificada pelo benefício proporcionado pela biotecnologia”, explica Viler Janeiro.

Com relação ao plantio e cultivo, as recomendações técnicas para a correta adoção das áreas de refúgio, incluindo as metodologias indicadas serão comunicadas quando da introdução da tecnologia no mercado. Além disso, o CTC disponibilizará uma equipe especializada para o constante monitoramento das áreas com a cana geneticamente modificada.

Ana Flávia Marinho-Canal-Jornal da Bioenergia