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Pragas em canaviais comprometem produtividade

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A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas produzidas no Brasil. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), até a segunda quinzena de fevereiro de 2019, a quantidade de cana processada pelas usinas e destilarias do Centro-Sul totalizou 543,37 mil toneladas. No acumulado desde o início da safra 2018/2019 até 1º de março, a moagem somou 564,14 milhões de toneladas.

Neste contexto, os insetos são problemas econômicos que afetam negativamente a produtividade da planta e, consequentemente, colocam em risco a produção de etanol e açúcar. O pesquisador Tavvs Alves, pós-doutor atuante no polo de inovação do Instituto Federal Goiano em projetos com empresas da agroindústria, relembra que algumas espécies de insetos-praga são problemas para a cana-de-açúcar todos os anos. “A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) e a cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata) são algumas dessas pragas-chave que merecem atenção safra após safra. Os cupins, o besouro Migdolus, formigas cortadeiras, lagarta elasmo e broca gigante também geram transtornos dependendo da localização da região produtora.”

Para se ter uma ideia, os danos causados pela cigarrinha-das-raízes podem chegar a 60% de perda de produtividade nos canaviais. Já a broca da cana é uma mariposa cujas larvas causam a morte da gema apical e danos no interior do colmo da cana-de-açúcar. O Migdolus, por sua vez, ataca o sistema radicular da cana causando falhas na brotação das soqueiras, morte em reboleiras e necessidade de reforma precoce do canavial.

O histórico de pragas da propriedade e das propriedades vizinhas pode auxiliar a definir quais espécies merecerão maior atenção durante a safra. O pesquisador explica que algumas áreas no Sudoeste Goiano, por exemplo, têm documentado problemas com uma espécie aumentando intensidade e importância. A praga é conhecida como bicudo da cana (Sphenophorus levis). O produtor também precisa se preocupar com o local de amostragem desses insetos, pois alguns insetos-praga se escondem dentro dos colmos, debaixo de toletes ou dentro de bolhas esponjosas na base das touceiras.

Dentre os principais problemas que impactam a produtividade e a longevidade dos canaviais, estão as plantas daninhas (tiririca, gramíneas como capim-colonião, capim-braquiária, complexo capim-colchão; de folhas largas seriam diferentes espécies de cordas-de-viola, mamona, mucuna-preta, fedegoso, entre outras), insetos pragas (pragas de solo como Sphenophorus, cupins, Migdolus, broca-gigante; com danos foliares seriam a broca-da-cana, cigarrinha e, às vezes, algumas lagartas), e patógenos que causam doenças na cana-de-açúcar (podridão abacaxi, colletotrichum, ferrugem-alaranjada e ferrugem-marrom).

Consequências

No Brasil, prejuízos anuais de milhões de Reais são causados pelos danos diretos e indiretos dos insetos-praga da cana-de-açúcar. Alguns insetos, como a broca-da-cana, abrem galerias nos colmos das plantas, afetando seu desenvolvimento, reduzindo o número de plantas, causando tombamento e, consequentemente, reduzindo a qualidade e quantidade da produção. Os insetos também podem favorecer a infecção de doenças como a podridão vermelha (Colletotrichum falcatum) e podridão de fusário (Fusarium moliniforme).

Para solucionar o problema, a opção é realizar a amostragem de pragas, uma das principais medidas de manejo adotadas para prevenir prejuízos. Quando a intensidade da praga justifica seu controle, costuma-se utilizar inseticidas específicos para a espécie-alvo ocorrendo no talhão da fazenda. “O controle químico deve ser receitado por engenheiro agrônomo suficientemente qualificado para avaliar a intensidade da praga, opções de manejo, tipo de solo, desenvolvimento da cultura, produtos químicos registrados para cultura etc. Os prejuízos podem ser prevenidos ou retardados utilizando variedades resistentes ou tolerantes aos danos dos insetos. A destruição das soqueiras e plantas hospedeiras próximas ao canavial também são ferramentas de controle importantes”, ressalta o doutor Tavvs Alves.

O controle biológico utilizando fungos entomopatogênicos e parasitoides é uma opção de controle que, quando utilizada adequadamente, pode prevenir prejuízos e surtos populacionais de pragas. “Não existe uma medida de controle única para todos os problemas. Insetos não são necessariamente pragas quando a produção agrícola está em equilíbrio, mas os insetos sempre requerem um bom planejamento pré-plantio e atenção especial durante o ciclo de desenvolvimento e após a colheita da cultura”, finaliza Alves.

Soluções

O monitoramento utilizando armadilhas com atrativos alimentares ou feromônios está no mercado há vários anos, mas alguns produtores de cana-de-açúcar ainda precisam se adequar para aproveitar os benefícios dessa eficiente ferramenta de manejo. Outra novidade é o uso de drones para liberação de organismos que matam pragas. Alves avalia que os drones são excelentes plataformas para alcançar regiões de difícil acesso dentro do canavial. “Alguns drones também podem registrar imagens capazes de separar plantas sadias e atacadas por insetos e, assim, orientar as equipes de campo durante a amostragem das pragas. As informações georreferenciadas das infestações podem gerar mapas de aplicação de inseticida em taxa variável e reduzir os custos de manejo. Na soja, estamos utilizando algoritmos de inteligência artificial e computadores para diferenciar os danos de insetos, doenças, plantas daninhas, nutrientes e demais estressores afetando a cultura. O uso de inteligência artificial, aplicativos de celular e análises em nuvem tem grande potencial para cana-de-açúcar.”

O gerente de produto (herbicidas) e de cana-de-açúcar da Ourofino Agrociência, Roberto Toledo, comenta que os principais prejuízos com as pragas são a redução de produtividade – de 20 a 85%; redução de estande, com aumento de falhas no canavial; competição por água, luz e nutrientes; impacto negativo na qualidade da matéria prima, TCH (toneladas de cana por hectare) e ATR (açúcar total recuperável).

Para os canaviais brasileiros, a empresa destaca os herbicidas Templo, composto por glifosato premium com exclusivo sistema tensoativo e tecnologia Duo Sal, que oferece segurança, economia e velocidade no controle de diferentes plantas daninhas e na erradicação da soqueira de cana-de-açúcar, mesmo com chuva duas horas após a aplicação, e o PonteiroBR (sulfrentazone), solução que pode ser aplicada independentemente da idade do canavial, permitindo alta seletividade em cana-planta ou soca em diferentes épocas do ano (úmidas a secas). Na parte de inseticidas, o Singular (Fipronil), com formulação líquida que proporciona melhor homogeneização da calda e maior efetividade durante a aplicação, e Diamante (Imidacloprido) usado para aplicações no solo para controle de pragas na cultura da cana-de-açúcar. As formulações integram o programa Ciclo 100, da Ourofino Agrociência, que tem como intuito oferecer soluções integradas para manejo de plantas daninhas, pragas e doenças em cana-de-açúcar.

Bicudo-da-cana

Existem várias pragas como a broca da cana-de-açúcar, cigarrinha das raízes e os cupins subterrâneos, que podem afetar o desenvolvimento e até mesmo a produtividade do canavial. No entanto, de acordo com o gerente de marketing cana-de-açúcar da Basf, Leandro Pessente, o Sphenophorus levis, popularmente conhecido como o bicudo-da-cana, tem causado estragos preocupantes nos canaviais da região Centro-Sul do Brasil.

O bicudo pode provocar perdas anuais de até 30 toneladas por hectare. Também é possível identificar a redução do nível de sacarose da cana e da longevidade do canavial.  Já as larvas do inseto atingem uma parte da raiz da planta (rizoma), que se desenvolve na parte subterrânea, e danificam os tecidos da cana, reduzindo o índice de sacarose e a longevidade do canavial. “A ocorrência do bicudo-da-cana é mais alta entre os meses de maio e setembro, quando o clima é mais seco e as temperaturas mais amenas. É nesse momento que o produtor precisa redobrar os cuidados nos canaviais. Em alguns casos, a alta incidência do bicudo e o manejo inadequado podem fazer com que o produtor reforme precocemente o canavial, que muitas vezes não passa do segundo corte”, destaca Pessente.

O gerente explica que no caso do bicudo, é recomendado fazer a destruição mecânica da planta da soqueira infestada. “O uso de mudas sadias, a lavagem cuidadosa de máquinas e equipamentos que tiveram contato com a área infestada e o corte não tão rente ao solo (para evitar que a praga se desloque para dentro dos colmos) são as principais ferramentas de manejo utilizadas para impedir que a praga se espalhe para outras áreas.” O controle químico também é uma importante parte do trabalho de combate, cuja aplicação deve sempre ser acompanhada e recomendada pelo engenheiro agrônomo responsável pela lavoura. A solução da Basf, que pode ser aplicada contra o bicudo, é o Muneo BioKit – a união de produtos químico e biológico em tecnologia inédita para a cultura. Pessente explica que a parte química é composta pelo Muneo, produto com ação inseticida e fungicida. Já o produto biológico é o Aprinza, inoculante que atua como promotor de crescimento de raízes e parte aérea, além de contribuir com uma maior absorção de nutrientes. “Juntos, eles ajudam a promover o crescimento da planta e também são eficientes no controle de importantes pragas e doenças.”

Não é possível estabelecer um valor exato dos prejuízos devido às variáveis que envolvem o desenvolvimento da lavoura. No entanto, o bicudo pode provocar perdas anuais de até 30 toneladas por hectare, além de reduzir o nível de sacarose na cana e a longevidade do canavial.

A tecnologia também pode ser usada contra doenças conhecidas como podridão abacaxi (Ceratocystis paradoxa) e podridão vermelha (Colletotrichum falcatum), além de pragas como cupins” (Heterotermes tenuis). A solução apresenta ainda efeito supressor em pragas como a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), que podem comprometer os canaviais caso o manejo não seja feito corretamente.

É importante também que o agricultor fique atento ao descarte correto das embalagens e sobras dos produtos, além de incluir outros métodos de controle do programa do Manejo Integrado de Pragas (MIP), quando disponíveis e apropriados. Os produtos Muneo, Aprinza e Regent Duo estão registrados no Ministério da Agricultura sob os números 35118, PR-95130 10009-5 e 12411.

Embalagens de defensivos devem ser descartadas de forma adequada

Há alguns anos, o descarte das embalagens de defensivos tem sido regulamentado para que os impactos ambientais sejam minimizados. A Resolução do Conama 465/2014 determina que cada participante do sistema de logística reversa de embalagens de agrotóxicos tem o seu papel bem definido dentro das responsabilidades compartilhadas.

Já o Decreto 4074/02 estipula que a destinação de embalagens vazias e de sobras de agrotóxicos e afins deverá atender às recomendações técnicas apresentadas na bula ou folheto complementar, adquirido junto à compra do produto. Os usuários de agrotóxicos e afins deverão efetuar a devolução das embalagens vazias, e respectivas tampas, aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, no prazo de até um ano, contado da data de sua compra.

Após o uso, o agricultor deve realizar a lavagem das embalagens no campo e armazena-las temporariamente para entrega posterior na unidade de recebimento indicada.

Os estabelecimentos comerciais deverão dispor de instalações adequadas para recebimento e armazenamento das embalagens vazias devolvidas pelos usuários, até que sejam recolhidas pelas respectivas empresas titulares do registro, produtoras e comercializadoras, responsáveis pela destinação final dessas embalagens. (Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos Sinir – Ministério do Meio Ambiente).

 

Ana Flavia Marinho-Canal-Jornal da Bioenergia