Entrevista/Agropecuária vai estimular o crescimento no pós-pandemia

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Antônio Carlos de Souza Lima Neto é secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás. Ele é formado em Engenharia Agronômica na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e pós-graduado em Formação de Lideranças  pela Fundação Dom Cabral; em Gestão do Agronegócio  pela Rehagro e em Gestão de Negócios – MBA Executivo (IBMEC).

Atuou como superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás) entre dezembro de 2016 a dezembro de 2018. Em maio do ano passado foi eleito vice-presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri), representando a Região Centro-Oeste.

Canal – Jornal da Bioenergia: Qual expectativa do senhor para o setor agrícola goiano pós-pandemia?

Antônio Carlos de Souza Lima: Dentro de todo o cenário atual temos expectativas positivas.  Essa é uma garantia dada pelo Governo do Estado de Goiás, que permite qualidade e funcionalidade da agropecuária, que  não paralisou as atividades e desenvolveu protocolos de segurança, que trouxeram bons resultados.

Em 2019 e 2020 tivemos uma safra recorde, com 27 milhões de toneladas colhidas, um incremento considerado.  De uma forma geral, a retomada da economia passará pelo desenvolvimento do setor agropecuário. E a nossa expectativa é muito positiva, já que bons resultados foram alcançados e, consequentemente, com estimulo de todo o setor produtivo, para que a evolução continue.

Já temos alguns estudos que sinalizam que o Estado de Goiás vai superar o pós- pandemia mais rapidamente e, certamente, se sobressaia em todo o cenário de uma preocupação  de uma retração.

Canal: E a produção canavieira?

Antônio Carlos: No início da colheita estávamos muito preocupados como é que seria o comportamento do consumidor, principalmente do consumo do etanol, já que Goiás é o segundo maior produtor deste combustível do Brasil, tendo uma participação expressiva, em torno de 17% de todo o etanol  brasileiro.

O momento de isolamento social nos trouxe uma inquietação grande, mas ao mesmo tempo, toda a capacidade da produção das usinas foi aproveitada e, devido às oportunidades do mercado, revertemos um pouco para a produção de açúcar. E com isso, tivemos crescimento considerável de aproximadamente 53,6 % nesta safra.

Canal: Quais os setores mais afetados do agronegócio nessa crise? Quais os que conseguiram enfrentar tudo com menos dificuldades? Por quê?

Antônio Carlos: Sem dúvida, o setor sucroenergético foi, em determinado momento, preocupante devido à redução de etanol, mas se mostrou mais uma vez sua capacidade de superação de todos os obstáculos e desafios encontrados.

De maneira geral, o estímulo dos consumidores em um momento de isolamento social, na qual a garantia do abastecimento foi dada, não afetou em nenhum momento o consumo interno de todos os brasileiros, foi muito  favorável  na demanda dos produtos e, consequentemente, na sinalização positiva que a indústria de alimentos nos apresentou nesse processo.

Ao mesmo tempo, as nossas  exportações estão tendo números expressivos . 80 % das exportações do Estado de Goiás são provenientes do agronegócio. E  uma valorização cambial,  como  a atual , com a  apreciação do real e do dólar,  acaba estimulando ainda mais a competitividade dos nossos produtos exportados. E, o setor agropecuário se destacando na sua capacidade de atendimento dessa demanda.

No início pandemia toda a atividade não sabia como comportaria e deveria agir diante dessa situação. A atividade leiteira, por exemplo, teve um impacto no início, mas que se reverteu, principalmente devido ao estímulo à demanda, resultando em fator  favorável de preços e  estimulando a produção.

Sem dúvida temos motivos para celebrarmos os bons resultados efetivados, mas ao mesmo tempo, nos mostra que é necessário continuarmos trabalhando para a manutenção de  todo este cenário positivo diante das expectativas e das perspectivas futuras.

Canal: Quais medidas o governo goiano adotou para ajudar os pequenos e médios agricultores?

Antônio Carlos: O Governo do Estado de Goiás tem trabalhado forte para este propósito, na convicção de que plantando a gente colhe.

O Governo apoia uma série de medidas de estímulo à agricultura familiar. Estamos operacionalizado, de forma inédita, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que é uma política pública de comercialização realizada pelo Governo do Estado através da Secretaria da Agricultura.

Além do trabalho de fortalecimento da Emater, que é a nossa empresa de pesquisa agropecuária, dedicada principalmente ao atendimento dos agricultores familiares, que no Estado de Goiás chegam a representar 64% do setor.

Também podemos citar a coletividade no campo, que tem permitido levar internet a área rural. Já conseguimos instalar essa tecnologia em dez assentamentos em todo o nosso estado, buscando outras opções para incrementar ainda mais essa atuação. Destacamos também o trabalho de fortalecimento de regiões do estado onde há potencial hídrico a ser explorado, com o objetivo de incrementarmos a  nossa produção de área irrigada.

Canal: Houve redução de investimentos em áreas plantadas das principais culturas?

Antônio Carlos: De acordo com todos os levantamentos que a Secretaria acompanha, como Conab e IBGE, não houve redução de produção. Pelo contrário, mostra um estimulo e um incremento na nossa produção agrícola, pecuária e nas atividades florestais.

Canal: A alta do dólar teve que peso no cenário agrícola goiano?

Antônio Carlos: Temos um dólar valorizado e um potencial crescente de exportação que representa,  consequentemente, um maior faturamento dentro das receitas comercializadas.

Canal: Diferente de outros setores da economia, de janeiro a julho deste ano, o setor agropecuário foi responsável pela criação de 7.064 novos postos de trabalho em Goiás. Qual o motivo deste crescimento?

Antônio Carlos: Principalmente a garantia da atividade não ter paralisado que foi dada pelo Estado, por ser uma atividade essencial.  E ao mesmo tempo, todo o estímulo de variáveis positivas que o mercado tem apresentado, como o incremento na demanda, o crescimento nas suas exportações e, consequentemente, o resultado positivo nos sete primeiros meses deste ano.

Segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apresentamos saldo positivo em todos os meses relacionados ao setor agropecuário na geração de trabalho, totalizando  7064 novos postos de trabalho.

Canal: Quais ações futuras da Secretaria para estimular a produção agrícola goiana? A Secretária da Retomada também tratará dos assuntos do campo?

Antônio Carlos: Já na apresentação da Secretaria da Retomada um dos primeiros projetos  apontados foi relacionado ao setor agropecuário , com a estimulação da comercialização dos agricultores familiares, que será implementado nos próximos meses.

E também na elaboração de uma cerveja produzida a partir da fécula  da mandioca pela Ambev, no qual vamos promover a  produção ainda dos agricultores familiares nas regiões mais vulneráveis do nosso Estado, em especial no  Nordeste goiano.

Canal-Jornal da Bioenergia