Divulgação CIBIOGAS

Biometano: o combustível do agro que vai turbinar a transição energética do Brasil

O Brasil está prestes a viver uma revolução energética vinda direto do agro. A produção de biometano, combustível renovável obtido a partir de resíduos orgânicos e agroindustriais, deve mais do que triplicar até 2027, segundo estudo da Copersucar. Atualmente, o país possui capacidade de produção de cerca de 656 mil metros cúbicos por dia, com previsão de alcançar 2,3 milhões de m³/dia nos próximos dois anos. E o protagonismo tem endereço certo: o estado de São Paulo. O território paulista responde por 40% da capacidade instalada e 31% dos projetos de expansão. A longo prazo, o potencial produtivo pode chegar a 36 milhões de m³/dia — volume suficiente para substituir integralmente o consumo industrial de gás natural ou até 85% do diesel utilizado no transporte. “O biometano é uma das peças-chave da transição energética brasileira. Ele aproveita a força do agro, reduz emissões e ainda fortalece a segurança energética do país”, destaca Thiago Barral, Analista de Pesquisa Energética da EPE.

Do resíduo à energia limpa
Quem puxa essa transformação é o setor sucroenergético, que vem aproveitando como nunca os resíduos da cana-de-açúcar — vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha — para gerar energia limpa e rentável. Outras fontes, como esterco animal, restos de culturas agrícolas e resíduos agroindustriais, também entram no circuito. Tudo passa por biodigestores, que realizam a fermentação anaeróbia e transformam o biogás em biometano de alta pureza. Esse modelo de produção distribuída permite abastecer regiões fora da rede de gasodutos tradicionais, com transporte via GNC, GNV ou gasodutos dedicados, ampliando o alcance do biometano e a autonomia energética no campo. “A cana-de-açúcar é o motor da bioeconomia brasileira. O biometano é a nova fronteira desse setor — limpa, descentralizada e com valor agregado enorme”, avalia Evandro Gussi, presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar e Bioenergia).

Leis e incentivos impulsionam o setor
A Lei nº 14.993/2024 e o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano estão criando um terreno fértil para investimentos. Entre os estímulos estão:

  • Integração do biometano à malha de gás natural,
  • Fomento à economia circular,
  • Contratos de fornecimento de longo prazo, semelhantes aos PPAs do setor elétrico — uma segurança extra para investidores e produtores.

Energia limpa que gera emprego e reduz emissões
O biometano é um dos combustíveis mais eficientes na redução de emissões de gases de efeito estufa, com cortes que podem ultrapassar 90% em comparação aos fósseis. Além do impacto ambiental positivo, o setor deve gerar cerca de 20 mil novos empregos e reduzir a dependência brasileira de combustíveis importados. Outro ponto importante: o biometano diminui custos operacionais, especialmente no transporte pesado, onde o diesel ainda reina — por enquanto. “O biometano é competitivo, escalável e pronto para substituir o diesel em frotas pesadas.

Por dentro do mercado de biometano: 
Capacidade atual: 656 mil m³/dia
Projeção para 2027: 2,3 milhões m³/dia
Potencial paulista de longo prazo: 36 milhões m³/dia
Redução de emissões: até 90%
Empregos diretos e indiretos: cerca de 20 mil
Principais setores: sucroenergético, agroindustrial e transporte pesado

Canal-Jornal da Bioenergia

Veja Também

Brasil está preparado para ampliar mistura de biodiesel no diesel para até 25%

Desde agosto de 2025, o Brasil tem a mistura obrigatória de 15% de biodiesel (B15) …