Foto: Divulgação-Giulianna Conte

Abertura da 16ª TECNOSHOW COMIGO é marcada pela confiança no futuro do agronegócio

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“Se a TECNOSHOW COMIGO tivesse acontecido há quinze dias, estaríamos em outro cenário. Mas infelizmente os últimos dias têm sido de sinal amarelo para o agronegócio brasileiro”. A afirmação em tom de alerta do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi (PP), representou a tônica propagada na abertura da 16ª edição da feira, em Rio Verde (GO), aberta na manhã desta segunda-feira, 03 de abril, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC). “Se por um lado o produtor é corajoso e arrisca ao confiar no clima todo o investimento que fez em sementes e insumo, por outro, tem ficado refém de situações como a da falha em comunicação da Operação Carne Fraca que colocou em risco todo um mercado sustentado na produção agropecuária”, ressaltou.

Além disso, em outro ponto de destaque, o ministro foi enfático ao tratar da questão do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), depois que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou constitucional a cobrança do empregador rural pessoa física de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização da produção (considerada ilegal em outra decisão de 2011). “Há alguns anos, produtores deixaram de recolher sob liminar e agora aqueles que não tinham a obrigação de fazer o depósito se viram na obrigação de depositar. Mas a conta desse imposto multiplicada por cinco anos, mais a multa deve chegar a um valor de 20% a 25% do faturamento do produtor no último ano. Isso é grave e pode comprometer o produtor que poderia levar muitos anos para se recuperar”, enfatizou.

Somou-se a essas duas questões cruciais, o fato dos juros aplicados ao produtor rural não acompanharem a redução da taxa Selic. Conforme explicitou o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (COMIGO), Antonio Chavaglia, sem essa redução dos juros o produtor que quer investir no agro fica prejudicado. “Precisamos que os nossos parlamentares olhem pelo agro. Não há como investir e garantir o preço se o juro não acompanhar a queda da taxa Selic”, ressaltou.

Dificuldades e resiliência
Os três senadores que representam Goiás no Senado Nacional – Lúcia Vânia (PSB), Ronaldo Caiado (DEM) e Wilder Morais (PP) – manifestaram-se durante a abertura da TECNOSHOW COMIGO em apoio à reestruturação da confiança que o Brasil e os investidores precisam dar ao agro. “Temos como desafio mostrar a força e a resistência do agro. O setor foi o último a sentir os efeitos da crise e o primeiro a sinalizar a retomada de empregos, com o recente número de 11.600 empregos retomados por meio de investimentos capitaneados no setor do agronegócio e de serviços que estão diretamente ligados à cadeia”, afirmou a senadora Lúcia Vânia.

“Todo esse esforço está demonstrado na feira que investe em tecnologia e novas áreas plantadas. E o Congresso tem trabalhado para melhorar essa situação, criando um grupo de estudos focados em uma agenda microeconômica, engajados em Fundos para as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, para trazer juros mais compatíveis com o centro da meta”, salientou a senadora.

O senador Ronaldo Caiado trouxe para o debate a necessidade de iniciativas para fortalecer a cadeia frente aos retrocessos enfrentados com os últimos acontecimentos. “Vamos fazer um périplo para buscar saídas na questão dos passivos do Funrural. Não podemos ter essa diferenciação da cobrança da previdência para o setor urbano que desconta sobre a folha e para o setor rural sobre a receita bruta. Temos que buscar soluções equilibradas para o setor não pagar sozinho essa dívida que não é dele”, disse ao contrapor a questão da decisão do STF, que colocou como definitiva, mas que poderia ser contornada com um projeto de lei que amenizasse o impacto sobre o produtor.

“Além disso, precisamos lutar pela infraestrutura que é carente no campo, com a construção e recuperação de rodovias, com a questão da segurança no campo que tem preocupado os produtores. Mostrar que o agro realmente é o coração que impulsiona a economia do Brasil”, sustentou.

Na mesma linha, o senador Wilder Morais falou diretamente ao ministro Blairo Maggi, na questão da cobrança da taxa de juros e complementou sobre a importância da feira. “A TECNOSHOW COMIGO é referência nas feiras de tecnologia do Brasil e do mundo”, declarou.

Equilíbrio e confiança
O vice-governador do Estado de Goiás, José Eliton de Figuêredo Júnior (PSDB), que na ocasião representou o governador Marconi Perillo (PSDB), discursou pela questão do equilíbrio no tratamento das dificuldades que o setor enfrenta. “A solução no País não reside na radicalização, mas sim no equilíbrio e na convergência dos discursos. A TECNOSHOW COMIGO demonstra exatamente essa capacidade de agregar valor, pela tecnologia, pelo cooperativismo”, apontou.

Para o deputado federal, Heuler Cruvinel (PSD), o agro que tem sustentado a economia brasileira ainda necessita também de infraestrutura, que é um dos principais entraves, especialmente quanto ao escoamento da produção. “Um dos gargalos é a questão dos armazéns para guardar a produção. Aqui em Rio Verde, por exemplo, nosso armazém não passa por uma reforma há cerca de 40 anos”, alertou.

Posicionamento corroborado com o representante da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, deputado Lissauer Vieira (PSB). “O produtor rural é um herói frente a todas as adversidades que enfrenta, mas ainda estamos longe de sermos autossuficientes em algumas questões, como a de armazenagem”, acrescentou.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), José Mário Schreiner, a questão dos armazéns também é crucial para combater os antagonismos que o agronegócio vive. “Se por um lado o setor comemora recordes de produção, por outro, vivemos crises no escoamento e até na confiança do setor, como foi o caso da operação Carne Fraca. Esse é o momento de unirmos para retomar a confiança, buscar melhores condições para o Plano Safra”, pontuou.

Complementando a ideia, o prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale (PMDB), reforçou a necessidade do agro recobrar o respeito de todos os setores e poderes. “A TECNOSHOW COMIGO mostra que Rio Verde será a capital do futuro para a produção de alimentos. E temos aqui condições de transformar, por meio dessa tecnologia e dos investimentos do poder público, a cidade no Vale do Silício da agricultura”, complementou.

Ao final da solenidade, o ministro Blairo Maggi reforçou que apesar do futuro não ser animador, o Brasil e o setor agropecuário já passou por situações piores. “A TECNOSHOW COMIGO é um evento importante para a inovação tecnológica e mostra que chegamos até aqui pela ciência, pelo conhecimento, pela pesquisa. Isso mostra que se não dermos condições de investimento vamos ficar para trás. A posição do Ministério é a posição dos produtores. É preciso investir, dar fôlego e ‘soltar o garrote’ para que o produtor tenha condições pelo Plano Safra, por um taxa de juros mais adequada. Se não der fôlego, todo o Brasil pagará”, finalizou.

FICHA TÉCNICA
16ª edição da TECNOSHOW COMIGO
Data: 3 a 7 de abril de 2017 (segunda a sexta-feira)
Local: Centro Tecnológico COMIGO (CTC) – Rio Verde – GO (Anel Viário Paulo Campos, Km 7, Zona Rural)
Horário: 8 às 18 horas
Serviço: Geração e Difusão de Tecnologias Agropecuárias, Exposição de Máquinas e Equipamentos, Palestras, Exposição de Animais e Dinâmicas de Pecuária.

 

 

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