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Retrospectiva Canal 2017/ A busca por variedades de cana mais resistentes e produtivas

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Uma cana-de-açúcar mais alta, mais fina, mais resistente e mais pesada. Essa é uma breve descrição da cana-energia ou supercana. A variedade é o resultado do cruzamento de cultivares modernas com espécies ancestrais da cana-de-açúcar, desenvolvida por alguns laboratórios tem como objetivo uma maior capacidade de produção de energia elétrica por biomassa ou etanol de segunda geração. O nome cana-energia vem dessa característica de se transformar em energia. A matriz energética brasileira é baseada no uso de hidroelétricas, assim a complementação da demanda é das termoelétricas que queimam combustíveis fósseis e aumentam as emissões de gases de efeito estufa. A cana-energia tem mostrado resultados promissores na substituição de recursos fósseis, tanto para a geração de eletricidade quanto para o suprimento da demanda crescente de combustíveis. A supercana também atende uma nova demanda de mercado na produção de químicos verdes, permitindo um maior valor agregado dessa matéria-prima. Segundo o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Hugo Molinari, a cana-energia tem muito mais fibras que a cana tradicional. Devido a essa alta fibrose há redução da sacarose e, consequentemente, da taxa de ATR.  Para a Granbio, a produtividade da cana-energia ultrapassa 180 toneladas por hectare – praticamente o dobro do rendimento obtido com a cana tradicional – e o teor de fibras pode chegar a 35%, valor duas vezes maior que o da cana-de-açúcar, quando colhida de forma integral.

Uma das principais vantagens da cana-energia é justamente a variabilidade em termos de composição. Em geral, as cultivares apresentam maior teor de fibras e, portanto, elevado rendimento de biomassa por hectare. No entanto, algumas cultivares selecionadas em fase de pré-comercialização da Granbio têm mostrado valores de ART superiores a 100 quilos de açúcares por tonelada de cana colhida de forma integral, sem reduzir a alta produtividade de biomassa.

A fisiologia diferenciada dessa variedade permite com colmos mais finos, touceiras mais perfilhadas, permite a cana-energia maior longevidade de até dez cortes antes da renovação do canavial. “Essa variedade é mais rústica”, pontua Molinari. A tradicional permite aproximadamente de cinco cortes. Assim, há menos custos no replantio.  Com relação à estrutura, a cana-energia possui um sistema radicular mais eficiente e resistente.

As diferenças estão na base do processo de melhoramento, ou seja, nos parentais utilizados para gerar as diversas progênies. “Desta maneira, este biótipo difere da cana tradicional principalmente na sua capacidade de brotação e perfilhamento, originando canaviais de altíssima população de colmos” pontua o líder do Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Marcos Guimarães de Andrade Landell.

Força

Por ser mais rústica, a cana – energia é mais adaptável a solos mais pobres, isso é, em solos com maior período de veranico e com menos minerais, como no cerrado. Além de maior resistência ao estresse hídrico, a cana é mais forte a pragas e doenças. Tais características têm impacto direto no custo de produção e torna os canaviais da cana-energia mais competitivos.

“Os parques industriais ainda se preparam para receber essa cana.  Por causa da alta concentração de fibras, a logística e o processamento devem mudar com o objetivo de diminuir o desgaste das moendas e de outras partes da usina”, pontua o pesquisador da Embrapa.

Estudos e mercado

No IAC, a supercana ainda está em estudos, essa linha de pesquisa focada na cana energia teve início efetivo em 2010.  “Já há cultivares de cana-energia disponível ao mercado, porém dentro do Programa Cana do IAC isso ainda é apenas objeto de experimentação e validação”, explica Mauro Alexandre Xavier, pesquisador IAC.

Na Granbio, o programa de melhoramento teve início em 2012 e é realizado pelas subsidiárias da GranBio: a BioVertis e a BioCelere. No fim de 2015, foi registrada e protegida no Ministério da Agricultura a primeira variedade comercial – a Cana Vertix®. Entretanto, o programa de melhoramento segue ativo, produzindo novas variedades que atenderão às expectativas e particularidades de diferentes projetos. Por exemplo, uma variedade pode ser rica em fibra e com pouco açúcar, enquanto outra pode ter teor um pouco maior de açúcar, com o mesmo índice elevado de fibra.  Esta versatilidade permite à cana-energia se adequar muito bem aos mais diferentes projetos de produção de etanol e/ou bioeletricidade.

Hoje, a cana da Granbio está distribuída com destaque pelo Estado de Alagoas, além de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul.

 

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia