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Setor de energia eólica aguarda leilões

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Elbia Gannoum Presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). Graduada em economia, é doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina. Em sua carreira, acumulou experiências como membro da Diretoria da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); economista-chefe do Ministério de Minas e Energia (2003-2006); coordenadora de Política Institucional do Ministério da Fazenda (2001-2002); assessora de assuntos econômicos no Ministério de Minas e Energia (2001); assessora na ANEEL (2000-2001) e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (1998-2000). É especialista em Regulação e Mercados de Energia Elétrica. Em 2014 foi eleita pela revista inglesa Recharges – Renewable Thought Leader Club como uma das personalidades mais influentes em energias renováveis no cenário global.

Canal: O que esperar do novo governo federal?

Elbia Ganndoum: As expectativas do setor em relação ao novo governo são baseadas em critérios técnicos. O potencial de energia eólica no Brasil é de cerca de 500 GW, muito mais do que o País consome atualmente. Considerando que a matriz de geração de eletricidade deve ser diversificada entre as demais fontes de geração, que o Brasil tem um baixo consumo de eletricidade per capita que ainda deve crescer e que a energia eólica tem apresentado preços competitivos, entendemos que a energia eólica no Brasil ainda possui muitas décadas de desenvolvimento para o futuro.

Canal: Quais as principais medidas de incentivo esperadas para 2019? Alguma definição deve ser tomada especificamente para a eólica?

Elbia Ganndoum: Para o setor de energia eólica o principal ponto é que o Brasil retome o crescimento para, então, contratar mais energia.

Canal: Em 2019, alguma região deverá apresentar destaque com relação à produção de energia?

Elbia Ganndoum: A região Nordeste tem se destacado na instalação de parques eólicos e, consequentemente na geração. Cerca de 80% da capacidade instalada de energia eólica está no Nordeste.

Canal: Como o setor deve se desenvolver a partir deste ano de 2019, tendo em vista os últimos resultados?

Elbia Ganndoum: Em 2019, faremos a instalação de energia contratada em leilões em anos anteriores. No que se refere a novas contratações, esperamos novos leilões que devem ocorrer naturalmente com a retomada do crescimento econômico.

Canal: O mercado livre de energia é uma tendência e pode chegar a ser popularizado no futuro?

Elbia Ganndoum: Sim, esta é uma importante tendência do setor e a ABEEólica tem se dedicado ao tema, inclusive promovendo evento específico para discutir mercado livre para o setor de energia eólica.

Canal: O crescimento eólico se mantém ou há uma diminuição no ritmo de crescimento? Como avalia o desenvolvimento do setor em 2018? Os resultados estão dentro das projeções?

Elbia Ganndoum: O crescimento do setor depende basicamente da retomada de crescimento econômico e a consequente necessidade de contratação de energia. Embora o setor tenha ficado 24 meses sem leilão (do final de 2015 até dezembro de 2017), entendemos que foi um momento de crise econômica em que a contratação de energia estava estagnada. Considerando o cenário macroeconômico, tivemos boas contratações em 2017 e 2018, um pouco abaixo da média de 2 GW que gostaríamos de contratar, mas que estão coerentes com a situação de crescimento do País.

Ana Flávia Marinho-Canal-Jornal da Bioenergia