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04 de Setembro de 2010
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Opinião

O etanol do futuro

O Brasil é pioneiro e líder em tecnologia na produção de um dos biocombustíveis mais importantes da atualidade, o etanol extraído do caldo da cana-de-açúcar. De igual forma, o País tem potencial para se tornar uma liderança no aproveitamento da celulose para fabricação de biocombustíveis, apesar de ter entrado atrasado nessa área, uma vez que países como os Estados Unidos têm investido mais nessa tecnologia. As pesquisas com biomassa têm sido bastante aprimoradas e a produção de combustíveis a partir de qualquer material vegetal – o etanol de segunda geração – é uma realidade imutável. O Brasil é uma região lógica no mundo para a produção de etanol celulósico, porque possui boas terras, clima apropriado, alta produtividade de biomassa, indústrias eficientes e bons pesquisadores.

Temos a tecnologia necessária para alguns tipos de biomassa. Para outros, as pesquisas e avanços biotecnológicos enfrentam entraves, como a falta de investimentos. Nos EUA, por exemplo, os recursos para o etanol celulósico aumentaram no período de dois anos, enquanto no Brasil os investimentos iniciaram agora e estão muito aquém do necessário. Concluímos que o Brasil só não está mais avançado que os EUA pelo problema do custo e não pela tecnologia. O grande gargalo, atualmente, é o altíssimo custo das enzimas que fazem a quebra da celulose em açúcares. O desenvolvimento de microrganismos mais eficientes e baratos seria a chave para a produção de etanol celulósico em larga escala, sendo, assim, economicamente viável.

Com o emprego dessa tecnologia nas usinas sucroenergéticas se extrairá mais valor da cana por meio do aproveitamento da celulose. Seria bom para os produtores, para a economia e para o País, à medida que o carbono adquire valor de mercado. A produção de etanol, em princípio, foi desenvolvida a fim de suprir a necessidade com o advento de novas tecnologias automotoras que vieram para beneficiar o consumidor. O etanol celulósico, por sua vez, surge a partir de uma oportunidade muito interessante e viável.

A produção de biocombustível, em nenhum momento, afetou a produção de alimentos e nunca foi uma ameaça à segurança alimentar. Com o advento da tecnologia de produção de etanol celulósico, o aperfeiçoamento do uso dos materiais vegetais e a potencialização do aproveitamento da cana, a distância entre esses pontos será maior. É certo que as áreas de produção de cana têm aumentado, bem como a necessidade de utilização de recursos hídricos, mas, com certeza, a produção de etanol a partir de celulose poderá potencializar a produção de biocombustível sem demandar mais áreas e recursos hídricos, apesar de a cana consumir bem menos água do que outras culturas, como o café e a soja.

A cana é o principal elemento que caracteriza o sucesso na eficiência em fabricação de biocombustível e, de forma intensa e eficaz, ela tem sido aprimorada para que seja ainda mais eficiente em todos os quesitos. A cana sustentável ainda é um desafio e algumas dificuldades e desvantagens precisam ser sanadas, como, por exemplo, a grande necessidade de fertilizantes na lavoura e alguns impactos ambientais que ela causa. A mitigação desses efeitos negativos, o ganho de produtividade e a eficiência da matéria-prima na indústria têm sido os alvos dos pesquisadores.

Os EUA são, atualmente, o maior produtor de etanol do mundo, a partir do milho, mas logo esse posto passará a ser ocupado pelo Brasil, que tem tudo para ser o líder na  produção de etanol, tanto o de primeira quanto o de segunda geração.

Alexandro Alves é engenheiro agrônomo e assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) para a área de cana-de-açúcar e bioenergia.
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