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06 de Setembro de 2010
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Mais Brasil

O mundo das águas e dos bichos

Uma imensa planície alagada proporciona no Centro-Oeste brasileiro um dos mais impressionantes espetáculos da natureza. Submersas durante mais da metade do ano, as terras do Pantanal Matogrossense são palco de uma explosão contínua de vida, que se manifesta na riquíssima fauna - possivelmente a mais variada do planeta -, na vegetação diversificada e na paisagem versátil, que brinca com a dança das águas. Rios e baías alteram seus traçados constantemente, sob as ordens do ciclo das chuvas, dando abrigo e alimento a uma imensa variedade de animais.

Uma sucessão de surpresas aguarda quem percorre as rodovias e fazendas do Pantanal, conhecido como o reino dos jacarés, por causa da abundância da espécie. Eles dominam a paisagem, de dia e de noite, quando são alvo da focagem noturna - um dos atrativos turísticos obrigatórios da região. As aves, algumas voando em bandos que chegam a esconder parte do céu, também encantam os visitantes. O lugar é considerado uma das maiores reservas de aves do mundo. Estima-se que existam ali 650 espécies, entre as quais tuiuiús (símbolo do Pantanal), araras, socós, colhereiros, garças, tucanos, jaçanãs e martins-pescadores, que promovem uma verdadeira festa de cores e sons.

Os mamíferos também passeiam com desenvoltura e sem medo entre a vegetação. Não é difícil avistar macacos de diferentes tipos, entre eles o bugio, capivaras, quatis e porcos do mato. Essa inigualável riqueza pode ser atribuída, em parte, à proteção natural das águas. Por ficar alagado ao longo de pelo menos seis meses ao ano, o Pantanal não desperta interesse para atividades econômicas de grande impacto. A  pecuária extensiva, que ganhou força na região por causa da possibilidade de remoção do gado para as partes mais altas nos meses de inundação, persiste há mais de 200 anos e se transformou em aliada da preservação.

A imensa extensão da planície pantaneira - que ocupa uma área de 140 mil quilômetros quadrados no Brasil, na Bolívia e no Paraguai - é outro determinante para a fantástica biodiversidade da região. No Centro do País, o Pantanal tem conexão com a Mata Atlântica, o Cerrado, a Amazônia e o Chaco e abriga espécies da fauna e flora de todos estes biomas. Um passeio despretensioso pela Transpantaneira - rodovia que atravessa o Pantanal a partir de Poconé (145 quilômetros de Cuiabá) até Porto Jofre (divisa com Mato Grosso do Sul) - pode dar uma mostra clara da emoção que é visitar a região.

No período de seca, os animais se concentram nas margens rebaixadas da estrada, que se mantêm alagadas, e podem ser vistos bem de pertinho. Ao longo do caminho, revezam-se grupos de jacarés, araras, tuiuiús, tucanos, cobras e outras espécies. Um safári fotográfico na Transpantaneira é uma das opções imperdíveis que a região reserva aos turistas. Mas é preciso reservar tempo e fôlego para as várias outras atrações, oferecidas pelos hotéis nas diferentes regiões do Pantanal. Praticamente todos eles têm à disposição dos hóspedes passeios pelas baías e corixos, cavalgadas, focagem noturna de jacarés, visita a ninhais ao alvorecer, trilhas de caminhada e outros, todos pagos à parte. 

 

Um presente para os pescadores

Os rios extremamente piscosos são uma tentação para quem gosta de pescar. Estima-se que a região tenha mais de 260 espécies de peixes já catalogadas, entre as quais dourados, pintados, pacus, barbados, jaús, piraputangas, curimbatás e piranhas. Os pacotes dos hotéis normalmente oferecem a opção da pesca esportiva, que permite conhecer um pouco da riqueza aquática do Pantanal. Mas quem preferir dedicar mais tempo à atividade, pode alugar um barco ou mesmo se hospedar nos barcos-hotéis, que passam dias navegando pelos rios com seus hóspedes. Há vários tipos de embarcação, das mais simples às mais luxuosas, e diferentes roteiros à disposição. O maior rio da planície pantaneiro é o Paraguai, que nasce na Serra de Araporé e serve de fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai. Outros rios importantes da região são o Aquidauana, Miranda, Negro e Abobral.

Ao planejar a viagem é preciso primeiro decidir qual região conhecer. Cerca de 98 mil quilômetros quadrados do Pantanal (70% de sua área) ficam no Brasil, entre os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em ambos, há várias cidades com diferentes características e alternativas de hospedagem. Para ficar mais perto da natureza, vale a pena dar preferência para os hotéis-fazendas (veja quadro abaixo), que oferecem pensão completa e passeios.

No Mato Grosso do Sul, destacam-se entre os municípios mais importantes Corumbá, porto fluvial com casarões do século 19; Aquidauana, porta de entrada do Pantanal pelo lado Sul; Porto Murtinho, localizado em uma das regiões mais piscosas do Pantanal; e Campo Grande, a capital do Estado. No Pantanal Norte, no Mato Grosso, as principais cidades são Barão de Melgaço, tipicamente pantaneira e com arquitetura do século 19; Porto Jofre, considerada o coração do Pantanal, onde a natureza se manifesta de forma ainda mais exuberante; Poconé, ponto de entrada para quem sai de Cuiabá; Cáceres, que tem o maior torneio de pesca em água doce do mundo; e a capital Cuiabá.

Escolhido o destino, é só arrumar as malas e preparar o espírito para uma viagem fantástica ao mundo mágico da natureza. Nela não podem faltar algumas experiências, que proporcionam sensações indescritíveis. É o que acontece nos passeios de barco ao alvorecer, quando o sol ilumina as águas e acorda a vida adormecida entre a vegetação. Ruidosos, os pássaros saem aos bandos de seus ninhais, voando rente aos rios e espantando a preguiça da noite. É como receber uma injeção de vida, que faz o coração disparar e os sentidos ficarem mais alertas. Uma viagem de pura emoção, para nunca mais sair da memória. (veja quadro na edição em PDF)

 

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