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Crambe tem alto potencial
Evandro Bittencourt Ainda não existem estatísticas precisas sobre o plantio do crambe no Brasil, mas na opinião de especialistas esta é uma cultura que tem tudo para crescer, se houver mais investimentos em pesquisa, divulgação e incentivos. No Estado de Goiás, onde vem sendo cultivado na região Sudoeste, a Federação da Agricultura e Pecuária (Faeg), estima que cerca de trinta produtores plantam o grão. A área ocupada pela cultura na safrinha foi de cerca de quatro mil hectares, com produtividade de até mil e quinhentos quilos por hectare. O crambe vem sendo apontado como uma excelente alternativa para a produção do biodiesel, capaz de minimizar um dos grandes gargalos que existem hoje na fabricação do produto: a falta de uma matéria-prima que seja econômica e produtiva. A lista de qualidades relacionadas à cultura é grande. De origem asiática (região do mar mediterrâneo), a planta é muito resistente à seca e tem um ciclo rápido. A floração acontece, em média, aos 35 dias. O ponto de maturação para colheita é atingido em até 90 dias. Essas características agronômicas fazem da oleaginosa uma excelente opção para a safrinha. Outra vantagem é o baixo custo de produção. O crambe não exige correção de solo antes do plantio – se o produtor o fizer após a colheita da soja ou do milho – e nem grandes aplicações de fertilizantes e herbicidas. Para cada hectare são necessários de 12 a 15 quilos de semente e todo o processo é mecanizável. Um produtor que plante soja pode até aproveitar o mesmo maquinário. Basta regular a plantadeira, pois os grãos do crambe são menores dos que os da soja. Teor de óleo Mas o que realmente coloca o crambe em uma situação de vantagem é o seu percentual de óleo vegetal. Enquanto na soja o teor de óleo é de aproximadamente 18%, o do crambe pode chegar a até 38%. No comparativo com a soja, Alexandro Alves, assessor técnico da Comissão de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Faeg, aponta, ainda, um outro diferencial. Segundo ele, apesar de a soja representar 80% da matéria-prima utilizada, atualmente, na fabricação do biocombustível no Brasil, o grão não é plantado, prioritariamente, com essa finalidade. A soja se destina, principalmente, à produção de óleo vegetal e ração animal, ou seja, o grão compete com ele mesmo quando o assunto é biocombustível. Farelo pode ser usado como ração animal O crambe também serve para a produção de ração animal, explica Alexandro Alves, assessor técnico da Comissão de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Faeg. Nos Estados Unidos, onde é cultivado em larga escala, esse é um dos principais destinos da cultura. No Brasil, o crambe pode vir a ser cultivado com o objetivo primordial de produzir biodiesel e, paralelamente, ser mais uma fonte de matéria-prima de farelo destinado à alimentação animal. Para isso, no entanto, ainda há muito trabalho a ser realizado. Alexandro Alves diz que muitos produtores sequer conhecem o crambe. "É uma cultura que já tem muitos anos de existência, mas aqui no Brasil está sendo cultivada somente há uns cinco anos. A Fundação do Mato Grosso do Sul (Fundação MS), foi quem começou a desenvolver pesquisas com o plantio do cambre no País, em 1995. Falta informação tanto na questão do plantio quanto na venda de sementes. A produção de sementes em larga escala para plantio, hoje, está praticamente restrita ao Mato Grosso do Sul." Demanda crescente Mesmo vencida a barreira da falta de pesquisa e informação, qualquer produtor, para investir em uma cultura, precisa ter a garantia de que a produção terá mercado. Este ano, o País viu a demanda pelo biodiesel começar a crescer a partir de janeiro, quando o percentual de biodiesel adicionado ao diesel subiu de 4% para 5%. Na época, o governo anunciou a adoção do B5 com a promessa de um incremento de 25% na demanda. O B5 era uma das metas do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel e foi antecipada em 3 anos. Uma medida que visa não só reduzir a emissão de CO2, mas também a dependência econômica do Brasil de importação do diesel. Por tudo isso, a tendência é de crescimento contínuo e a expectativa da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio) é uma participação de até 20% do biocombustível nas regiões metropolitanas até 2015. As perspectivas são boas e tornam necessário um olhar mais atento ao crambe, que surge como uma cultura com elevado potencial para incrementar a produção do biodiesel no Brasil. |