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04 de Setembro de 2010
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Festival Gastronômico é atração de Quirinópolis

Milho, manteiga de leite, jiló, guariroba, linguiça de porco e pimenta malagueta. E que pimenta !!!!!!!!!!!!! Tudo isso reunido em uma travessa e colocada no forno se transforma na Chica Doida, carro chefe da culinária da cidade de Quirinópolis, cidade goiana que fica a cerca de 300 km da capital.

Chica Doida, nome simplório na aparência, mas forte no seu significado.  "Hoje, o prato típico nos fez ficar conhecidos em Goiás e até em outros estados. Antigamente, as pessoas chegavam a confundir nomes e a chamar nossa cidade de Pirenópolis ", desabafa o prefeito de Quirinópolis, Gilmar Alves.

Imagine. O prato foi descoberto por um daqueles apertos que toda dona de casa passa na cozinha, usando o jogo de cintura para não desperdiçar e ainda agradar os paladares. Petronilha Ferreira Cabral. Foi esta a cozinheira que se viu meio sem saber como aproveitar uma massa de milho que tinha sobrado.

A responsável pela invenção dessa receita, "Chica Doida", conta que um dia estava fazendo pamonha, quando a palha do milho acabou, mas ainda havia muita massa de milho. " Então coloquei os ingredientes numa vasilha e fui temperando. Deu certo.

Tão certo que hoje a cidade tem até um Festival Gastronômico dedicado ao "experimento" de dona Petronilha. Aliás, porque o nome Chica Doida? " Chica em homenagem a Francisca, uma funcionária minha, e Doida devido ao sabor apimentado " relembra Petronilha.

 

 

Festival de sabor

O 2º Festival Gastronômico Chica Doida, em Quirinópolis, foi realizado durante quatro dias (de  20 a 23 de maio). O povo da cidade e da região participou ativamente. Afinal, não é todo dia que a Chica Doida se transforma em estrela e é servida às margens do Lago Sol Poente, cartão postal da cidade. Com um detalhe, acompanhada de um frio que chegava a 12ºC na madrugada. Para os padrões de temperatura da região, isso é muito frio.

Em torno do prato à base de milho e pimenta estavam chefes de cozinha convidados para participar de cozinhas-show. Eram eles os chefs André Barros, Emiliana Azambuja, Júlia Tomé e o chef da região, Eduardo Di Castro. Até mesmo a modelo e atriz Andressa Oliveira, que já participou de alguns episódios do programa A Turma do Didi, Rede Globo, e, que esteve na última temporada da disputa por R$ 1 milhão no reality A Fazenda, na TV Record, desembarcou na sua terra natal para colocar a mão na massa. "Como a Chica de sal é sucesso, criei – com ajuda dos meus familiares – a Chica doce ", frisou

"Só conseguimos viabilizar uma festa deste porte devido a parcerias com o Sebrae-GO, Governo de Goiás e Ministério do Turismo ", explica o prefeito Gilmar. Para ficar pronta, a festa foi preparada durante três meses. Bonés, aventais  bandanas, por exemplo, foram feitas no Rio Grande do Norte para ficarem prontos a tempo. "Nos últimos dias que antecederam a festa, ficamos até a madrugada terminando os últimos detalhes, desabafa a secretária de Assistência Social do município e primeira-dama, Zélia Teodoro.

Valeu o esforço. O primeiro dia do festival reuniu mais de  50 mil pessoas. Isso foi muito para uma cidade com, aproximadamente, 45 mil habitantes.

 

Concurso premia a melhor receita

E como saber quem melhor prepara a Chica em Quirinópolis? Um concurso foi esquematizado com 16 escolas participantes. Cada unidade procurou inovar na receita, com o objetivo de agradar aos chefs que compunham o corpo de jurados. "Projetos como este ajudam a resgatar a culinária local de modo muito peculiar", afirma a chef de cozinha Emiliana Azambuja, que comanda oficinas durante todo o evento, ensinando receitas e ainda preparando o cardápio junino e irresistíveis pratos para o restaurante do festival.

A grande campeã do concurso foi a receita apresentada pela Escola Especial Dr. Alfredo Mariz da Costa. A direção da escola prefere não divulgar o segredo da receita, que a tornou vencedora, mas anuncia: o prêmio, oferecido pela prefeitura, foi de R$ 3 mil para serem gastos como a direção da unidade achar melhor.

 

Quirinópolis: crescendo com a energia das usinas

Fatores determinantes elevam o município de Quirinópolis ao patamar de um dos mais competitivos de Goiás. A proximidade com o porto de São Simão, da hidrovia Paranaíba-Tietê-Paraná, aliada à boa infraestrutura econômica existente, rodovias e estradas pavimentadas, criam as condições ideais para elevados investimentos de empresas na região. Hoje, a cidade ocupa o 14º lugar no grupo das mais competitivas de Goiás.

Essa classificação se dá, principalmente, em função das duas usinas de etanol e açúcar instaladas no município. Elas alavancaram o crescimento da cultura da cana-de-açúcar, garantindo posição privilegiada na geração de emprego e renda. O PIB do município, que era de R$ 273,1 milhões em 2002, passou para R$ 368,4 milhões em 2007, apresentando crescimento nominal de 35% no período.

No ano passado, segundo a Secretaria de Planejamento do Estado de Goiás (Seplan), houve um saldo de 427 empregos formais gerados no município. De 2006 a 2009 foram criados 4.540 novos postos de trabalho.

"Depois que as usinas se instalaram em Quirinópolis, a cidade mudou. Aqui a gente não ouve falar em desemprego", explica a professora Irani Alves dos Santos, moradora da cidade.

Uma das usinas é a São Francisco, localizada há 23 quilômetros da sede municipal. Ela está em operação desde abril de 2007. A safra 2009/2010 rendeu 350 mil toneladas de açúcar (97% a mais em relação à safra 2008/2009), 150 milhões de litros de etanol (35% mais do que em 2008/2009), além de gerar 290,4 mil MW de energia elétrica, proveniente da queima do bagaço da cana. A usina  vende a energia excedente.

A outra gigante do mercado é a Usina Boa Vista. Ela fica às margens da rodovia Quirinópolis-Paranaiguara e foi implantada com investimentos da ordem de R$ 700 milhões. Está em operação desde a safra 2008/2009, produzindo, ao final de 2009, quase 200 milhões de litros de álcool. A indústria, a princípio, só está produzindo álcool hidratado e essa produção é destinada ao mercado interno e externo (Japão). Gera cerca de 1.800 empregos diretos.

Recentemente, parte da usina (40%) foi vendida para o grupo norte-americano Amyris. Foi firmada, ainda, uma joint venture que prevê um investimento de 140 milhões de reais na ampliação da capacidade de processamento de cana-de-açúcar e na implantação de uma unidade adjunta à Usina Boa Vista, que irá operar com tecnologia da Amyris .

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