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04 de Setembro de 2010
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Locação

Segmento está em plena expansão

 Evandro Bittencourt

O mercado de locação de máquinas e equipamentos para o setor sucroenergético vem crescendo aceleradamente nos últimos anos e nem mesmo a crise econômica mundial, que alcançou o seu auge em 2008, foi capaz de deter esse crescimento. Empresários do setor relatam médias de aumento que variam de 20% a 100%, dependendo do tipo de produto requerido para as atividades realizadas nas usinas.

Colhedoras, plantadoras, caminhões, pás-carregadeiras, escavadoras hidráulicas, entre outras máquinas, são alguns dos produtos que se destacam pela elevada demanda.  O rearranjo do setor de produção de açúcar, etanol e bioeletricidade, com a maior participação do capital estrangeiro, também tem especial importância no que se considera uma mudança de cultura do empresariado em relação à locação de máquinas.

Segundo Adão de Oliveira, diretor de Negócios da Ouro Verde, empresa de atuação nacional no setor de locação de máquinas e equipamentos com sede em Curitiba (PR), as grandes companhias que estão se formando adotam os recursos disponíveis para aumentar a capacidade de produção. "Essas companhias se dedicam aos seus negócios finais e esses ativos que estão no apoio, desde colhedora, trator, caminhão, transbordo, conjunto rodotrem e plantadora estão sendo buscados no mercado para facilitar e a terceirização é um dos caminhos facilitadores nesse sentido, o que acabou desenvolvendo toda essa cadeia de máquinas para locação.

Adão de Oliveira destaca que, nos últimos sete anos, especialmente, o mercado de locação de máquinas, veículos e equipamentos foi favorecido pelo crescimento da frota de carros da linha flex automotiva, da produção do açúcar e  bioeletricidade.

Warlley Augusto, gerente de negócios da Locagyn, empresa de locação de máquinas com atuação nos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal, destaca que muitas empresas optam pela locação das máquinas em razão de não precisar empatar capital. Em alguns casos, o período em que as máquinas serão utilizadas é curto, o que não justifica a aquisição do produto. "Ao optar pela locação, o empresário mantém o foco em seu negócio principal, que é a usina, ou seja, o investimento é direcionado para outros setores do processo produtivo, ao invés de o dinheiro ser gasto com máquinas".

 

Acesso a produtos está mais fácil

Empresas que necessitam de conjuntos de máquinas, veículos e equipamentos para exercerem suas atividades produtivas têm, atualmente, muito mais facilidade de acesso a esses produtos por meio da locação. O mercado se abriu e muitas empresas ingressaram nessa área de atuação que, no passado, era bem mais restrita.

Ainda assim, quem quer estabelecer contratos de locação de máquinas não pode abrir mão do planejamento e de consultas prévias às empresas do ramo, sob pena de não encontrar máquinas e equipamentos à pronta entrega.

O forte crescimento da demanda por colhedoras de cana-de-açúcar, determinado pela necessidade de substituição das colheitas manual da cana crua pela mecanizada, obrigou empresas de locação que trabalham com esse tipo de máquina a reverem suas projeções. Segundo Adão de Oliveira, há dois ou três anos, quando a Ouro Verde estava começando os trabalhos voltados para a colheita mecanizada da cana-de-açúcar, a empresa planejou chegar em 2010 com 75 colhedoras. "Em meados de 2010 nós mais do que dobramos esse quantitativo de equipamentos, pois o segmento é muito forte e há uma necessidade de cumprimento de metas e da indústria produzir o máximo que pode."

Segundo o diretor comercial da Ouro Verde, atualmente todas as colhedoras da empresa estão locadas. "Nós não conseguimos fazer estoque, pois todos os equipamentos estão mobilizados. Temos somente os equipamentos do pool de apoio, que fazem parte da reserva ou de atendimento de contratos específicos, ou seja, eles não estão disponíveis para aluguel e sim para atender à nossa carteira de clientes."

 

Duração dos contratos de locação de máquinas

Os contratos de locação de máquinas específicas para o setor sucroenergético, normalmente, são de longo prazo. As empresas que atuam nesse mercado não costumam fazer aluguéis eventuais, até porque, normalmente, não mantêm estoques desses equipamentos. "No nosso caso, o atendimento e negociações de disponibilização são feitos mediante planejamento em médio prazo, no sentido de atender ao que o cliente precisa, com equipamentos bem dimensionados para aquele trabalho. Os contratos são de longo prazo, por volta de 60 meses, podendo ser remunerados apenas nos períodos de safra ou mensalmente, ao longo do ano, o que varia de acordo com cada cliente", explica Adão de Oliveira, da Ouro Verde.

Conforme os acordos comerciais, as máquinas podem ser renovadas a cada cinco anos, ou seja, a máquina usada é substituída por uma nova e assim seguem, sucessivamente, os contratos. Caso o contrato seja interrompido, o cliente devolve à empresa locadora a máquina usada, que é colocada no mercado ou negociada com os fabricantes ou revendedores autorizados que trabalham com os equipamentos novos.

Há empresas, como a Locagyn, no entanto, que trabalham com contratos de menor duração, de 6 a 24 meses. "Normalmente, eles são feitos a cada 6 meses e, ao final, é feita uma renovação", explica Warlley Augusto, gerente de negócios da empresa.

 

Manutenção também pode ser terceirizada

Nos contratos de aluguel de colhedoras estabelecidos com as usinas sucroenergéticas pode ser incluído todo o custo de apoio técnico operacional, ou seja, manutenções preventivas, corretivas e preditivas (determinação do ponto ótimo para executar a manutenção preventiva) ou, eventualmente, apenas o equipamento, ficando a cargo da indústria a respectiva manutenção. "Isso é feito conforme a necessidade. No caso das colhedoras locadas pela Ouro Verde, a manutenção específica é de responsabilidade do cliente”, diz Oliveira.

Na Locagyn, a manutenção das máquinas alugadas também pode ser feita pela usina ou ficar sob responsabilidade da empresa locadora. "Há casos em que disponibilizamos um profissional para atender com mais agilidade a solicitação do cliente", explica Warlley. A manutenção, geralmente, é composta de troca de óleo, revisão do sistema de freio, troca de filtros e averiguação do consumo de combustível.

 

Mercado continuará a crescer nos próximos anos

O crescimento previsto para o mercado de locação de máquinas, segundo estimativa de Adão de Oliveira, diretor de negócios da Ouro Verde, é de 20% ao ano até 2011, evolução que segue os anos anteriores, apesar da crise de 2008. "O mercado foi retomado com mais cautela, mas, ainda assim, bastante forte, tanto é que hoje estão faltando equipamentos".

Na região de atuação da Locagyn as perspectivas de crescimento são ainda maiores. Como a maior parte dos produtos com os quais trabalham são também demandados pelo setor da construção civil, que está igualmente aquecido, Warlley Augusto, gerente de negócios da empresa, estima que, para os próximos quatro anos, a expansão do segmento será de 70% a 100%. A perspectiva leva os empresários a investirem pesado em novos equipamentos e máquinas. Essa situação tem levado as empresas locadoras a esperarem de 60 a 90 dias pela entrega dos produtos que adquirem das fabricantes.

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