|
Passos de um gigante Evandro Bittencourt Pedro Isamu Mizutani é presidente da Cosan Açúcar e Álcool e Vice Presidente do Conselho de Administração da empresa. Pós-graduado em Finanças pela Unimep – Universidade Metodista de Piracicaba (1986), possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com extensão pela Ohio University (2001). É graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1982) e tem mais de 20 anos de experiência na área administrativa e financeira adquirida em empresas do setor sucroenergético. Também atuou na Costa Pinto S.A onde ocupou vários cargos: supervisor de planejamento, gerente financeiro e superintendente administrativo e financeiro. A partir de 2001 assumiu a posição de Diretor Superintendente do Grupo, onde tem como atribuição a coordenação geral das atividades estratégicas e operacionais das áreas comercial, administrativa, financeira, agrícola e industrial. O Grupo Cosan inaugurou em maio, no município goiano de Jataí, uma usina de etanol considerada a mais moderna do mundo e tem mais duas usinas planejadas para serem construídas no Estado. Quando elas devem sair do papel? Já temos os projetos aprovados no Estado, inclusive em relação ao meio ambiente, mas vamos primeiro concluir o projeto de Jataí. A partir dessa conclusão já temos um pré-planejamento para dar continuidade aos nossos investimentos em Goiás. E já existe uma previsão em relação ao tempo necessário para concluir o projeto da Usina em Jataí? Nos próximos cinco anos nós acreditamos que vamos dar início às instalações dessas duas novas usinas. Quais serão os municípios onde elas serão instaladas? Basicamente temos Montividiu e Paraúna já pré-aprovados, com praticamente todas as licenças aprovadas. E são nesses municípios onde deve acontecer a expansão em Goiás. E quanto à situação atual dos investimentos em expansão do setor sucroenergético, podemos dizer que voltamos à normalidade do período pré-crise? Não, porque na época do pré-crise tinha muitos investimentos caminhando para cá e o setor de açúcar e álcool é um setor que exige muito conhecimento da parte agrícola e industrial. Existiam muitas possibilidades de recursos, mas as pessoas não conheciam. E com essa crise que houve, a partir da queda do banco de investimentos Lehman Brothers, as pessoas estão olhando um pouquinho mais cautelosamente para investir no Brasil, principalmente no setor de açúcar e álcool. O que a gente vê é que existem muitas empresas multinacionais vindo para o setor para tentar aprender e investir. Há exemplo como a Petrobras e a própria Shell, vindo para cá para tentar investir com a Cosan. Existe esse movimento, mas investimentos em projetos greenfields acho que ainda vai demorar um pouco para haver uma retomada. Quais os prós e contras da crescente participação do capital estrangeiro no setor sucroenergético nacional, em sua opinião? Acho que é positiva, pois, basicamente, vai fazer com que essa internacionalização do etanol seja mais acelerada. O etanol não pode viver só em função do Brasil. A gente tem que transformá-lo em uma commodity internacional, até para valorizar mais o nosso produto. Como a Cosan Combustíveis e Lubrificantes está desenvolvendo a estratégia de distribuição de combustíveis? Qual a atual dimensão da rede de postos e como se dará sua ampliação? A Cosan Combustíveis e Lubrificantes tem cerca de 1,6 mil postos e o objetivo, depois que adquirimos esses ativos downstream da ExxonMobil dos Estados Unidos, é investir na marca e na expansão de postos, de forma a termos presença em todo o território brasileiro. E qual a opinião do senhor em relação à política de incentivos do governo direcionada à produção de bioeletricidade? Acho que pode melhorar. Para dar competitividade às usinas, principalmente às de retrofit (criadas para a autoprodução e que precisam ser reformadas para ser interligadas ao sistema elétrico), é preciso melhorar o preço pago pela energia ou dar condições de interligação. E também condições de financiamento favoráveis para que as usinas possam ser construídas no sentido de ter a cogeração de energia dentro dessas usinas. E em relação ao acordo para a criação da joint venture Shell e Cosan. Quais as perpectivas dessa união entre duas grandes empresas do setor de combustíveis? Acho que são muito positivas, apesar de ser, ainda, apenas um memorando de investimentos, tendo em vista que a Shell possui postos no mundo inteiro. Só nos Estados Unidos são 40 mil postos e isso vai fazer com que haja uma percepção melhor do mundo em relação ao etanol brasileiro, o que é bom não só para a nossa empresa, mas para o setor como um todo, acelerando o processo de internacionalização e commoditização do etanol brasileiro. Como está se dando o processo de mecanização da colheita da cana-de-açúcar nas unidades produtivas da Cosan? Cerca de 70% de nossa lavoura própria é mecanizada. Estamos à frente até do Protocolo Ambiental do Estado de São Paulo. No caso de Goiás, por exemplo, o nível de mecanização é de 100%. Cosan inaugura sua primeira usina em Goiás O Grupo Cosan inaugurou, no dia 27 de maio, em Jataí (GO), a mais moderna usina de etanol do mundo. A unidade contou com investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão, distribuídos entre as áreas agrícola, industrial e administrativa, sendo que R$ 639 milhões deste montante foram contratados por meio de financiamento com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A capacidade instalada da nova planta permitirá a produção de 370milhões de litros de etanol por safra. A unidade também realizará a cogeração de energia elétrica proveniente do bagaço e da palha da cana, com potência instalada de 105 MW de energia elétrica. A companhia prevê, ainda, comercializar o excedente da produção. Unidade utiliza modernas tecnologias de produção A chegada da Cosan ao Centro-Oeste é recebida como um importante fator para acelerar o processo de desenvolvimento do Estado de Goiás, aumentando a geração de emprego e renda a partir da contratação de mão de obra local. Segundo o presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometo Silveira Mello, a empresa utilizará em sua nova unidade, inaugurada em Jataí, a mais moderna tecnologia disponível empregada no campo e no processo industrial.” Com os mais modernos equipamentos e técnicas industriais do mercado, a nova usina será responsável pela geração de, aproximadamente, 6 mil empregos diretos e indiretos quando estiver em pleno funcionamento. Desde sua chegada ao município, a Cosan tem contratado e treinado profissionais de Jataí para o trabalho em diferentes áreas da usina. Atualmente, a planta conta com cerca de 1,5 mil funcionários diretos. Parceria Segundo a assessoria de comunicação da Cosan, a unidade chegou ao Estado atraída pela infraestrutura e latente crescimento da região, uma das maiores produtoras de grãos do Brasil. Além disto, o município conta com parceiros estratégicos que garantem a excelência exigida pela empresa em todas as suas atividades. A produção de cana-de-açúcar, por exemplo, será realizada em grande parte por meio de fornecedores da região. O escoamento da produção aproveitará os sistemas modais, utilizando hidrovia, rodovia e ferrovia. O álcool seguirá pela hidrovia de São Simão (GO) até Anhembi (SP) ou Pederneiras (SP), onde será escoado pelos sistemas ferroviário e rodoviários até Paulínia (SP). A Usina Jataí terá o corte de cana-de-açúcar mecanizado em praticamente 100% da colheita. Os resíduos provenientes da produção sucroenergética passam por um processo de gerenciamento para retornarem à área agrícola como fertilizantes do solo. Além disto, a planta contará com diferentes recursos que visam a redução dos impactos ambientais, como caldeiras de maior eficiência, com pressão a vapor de 100 bars, a maior já utilizada por uma usina sucroenergética (as usinas, normalmente, utilizam 21 bars ou 15 bars). A operação da unidade se dará por meio de circuito fechado de água, garantindo que ela seja tratada para retornar ao processo de produção, sem a necessidade de reposições constantes. O município de Jataí recebe, ainda, uma unidade da Fundação Cosan, entidade responsável pela multiplicação de conceitos e práticas de responsabilidade social e sustentabilidade em cidades onde a Cosan está inserida de maneira direta. Com projetos educacionais e cursos semi-profissionalizantes, a Fundação Cosan atende, diretamente, 1000 crianças em cinco núcleos, incluindo os trabalhos já realizados em Jataí, com atividades que propiciam a convivência e o aprendizado, além de facilitar o acesso a diferentes fontes de cultura geral. Player integrado Único player totalmente integrado do setor de energia renovável, a Cosan possui 23 unidades produtoras, das quais 21 no Estado de São Paulo e duas iniciando produção nas cidades de Jataí (GO) e Caarapó (MS), quatro refinarias e dois terminais portuários. Atua no varejo com as marcas União e Da Barra, no segmento de distribuição de combustíveis, por meio da marca Esso, e na produção e distribuição de lubrificantes automotivos e industriais, com a marca Mobil. Pedro Isamu Mizutani, presidente da Cosan Açúcar e Álcool
|