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06 de Setembro de 2010
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Balanço

Moagem supera resultados da  safra anterior

A intensidade e frequência das chuvas têm dificultado a colheita da cana-de-açúcar em grande parte da região Região Centro-Sul do Brasil, mas, ainda assim, segundo estimativa da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), houve um aumento de 54,85% do processamento na segunda quinzena de dezembro, ante o período anterior,  totalizando 10,31 milhões de toneladas. Do início de abril de 2009 a 1º de janeiro de 2010, o volume da matéria-prima  processada na região Centro-Sul do País atingiu 523,24 milhões de toneladas, um desempenho 5,24% superior ao mesmo período de 2008.

O crescimento da moagem na segunda quinzena de dezembro em relação ao mesmo período de 2008 é resultado de um elevado número de usinas que processaram cana nesse período, o que é atípico. Em 2008, 14 empresas estavam em operação no início de janeiro, enquanto em 2009 esse número chegou a 56 unidades. Este ano, mais de 90 empresas ainda não haviam encerrado as suas operações no começo do mês e algumas devem dar continuidade  ao processamento até março.

Apesar do relativo crescimento da moagem, a quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana esmagada, até o momento, continua abaixo do valor observado entre abril e dezembro de 2008, de 7,09%.  Isto porque, mesmo considerando-se o crescimento da moagem de 5,24% em relação à safra anterior, a queda na concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) fez com que o volume disponível para a produção de açúcar e etanol fosse 2,22% inferior ao valor registrado no mesmo período da safra passada.

Segundo a Unica, no acumulado desde o início da safra, 43,31% da cana processada no Centro-Sul foi direcionada para a produção de açúcar, e 56,69% para a produção de etanol. A produção de açúcar acumulada atingiu 28,30 milhões de toneladas até o final de novembro, 6,53% superior ao volume produzido no mesmo período na safra anterior. Já a produção acumulada de etanol alcançou 22,73 bilhões de litros, 7,69% inferior ao volume produzido no mesmo período da safra anterior.

 

MENOS AÇÚCAR

Há cinco quinzenas consecutivas a proporção de cana destinada para a produção de açúcar tem sido reduzida. Na segunda quinzena de dezembro, 71,09% da matéria-prima processada foi destinada à produção de etanol, e apenas 28,91% para o açúcar. Foram produzidas no período 352,30 mil toneladas de açúcar e 532,90 milhões de litros de etanol, sendo 105,70 milhões de litros de etanol anidro e 427,20 milhões de litros de etanol hidratado.

As vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul totalizaram 2,11 bilhões de litros no mês de dezembro, sendo 118,12 milhões destinados ao mercado externo e 1,99 bilhão para o mercado doméstico. No acumulado desde o início da safra, as vendas de etanol totalizaram 20,39 bilhões de litros, apenas 4,89% acima do total para o mesmo período do ano anterior.

 

VENDAS DE ETANOL

Já as vendas de etanol hidratado para o mercado doméstico atingiram 1,46 bilhão de litros em dezembro, um crescimento de 7,65% em relação ao mesmo mês de 2008 e um aumento de 4,56% em relação a novembro de 2009. Esse crescimento em relação ao mês de novembro já era esperado, pois em dezembro, tradicionalmente, se consome mais combustível em função do período de festas.

Apesar  do aumento das vendas de dezembro em termos a absolutos, decorrente da sazonalidade do consumo ao longo dos meses do ano, uma análise mais detalhada mostra que houve uma retração no crescimento das vendas de hidratado para o mercado doméstico. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar,  enquanto em junho de 2009 o crescimento das vendas do etanol hidratado no mercado interno atingiu 27,78%, na comparação com o mesmo mês, em 2008, em outubro o aumento foi de 18,36% em relação a outubro de 2008. O  crescimento nas vendas caiu ainda mais em novembro, chegando a 14,80%, sofrendo nova queda em dezembro, de 7,65% em relação ao que foi obtido há um ano.

 A redução gradativa é decorrente do aumento do preço do etanol hidratado ao consumidor, justificado pelas dificuldades impostas pelo período chuvoso à colheita da cana e pela aproximação do período de entressafra. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis-ANP, na primeira semana de janeiro, a relação de preços etanol hidratado/gasolina C na bomba ficou abaixo de 70% em apenas 6 Estados (GO, MT, SP, PR, PE, TO). Se considerarmos a relação abaixo de 65% esse número diminui para apenas para os Estados de Goiás e Mato Grosso. Esses valores indicam uma menor demanda por etanol hidratado em janeiro, que, tradicionalmente, é um mês de menor consumo.

 

AUMENTO DOS PREÇOS

Em relação aos sucessivos aumentos de preços do etanol nos últimos meses, a Unica reiterou que a principal causa foi o clima desfavorável à colheita. Apesar do aumento na moagem de cana nesta safra, da ordem de 30 milhões de toneladas, considerando-se produto (açúcar e etanol), o resultado foi inferior em 2,22% em relação à safra 2008/2009, fruto de um menor ATR.

O aumento da demanda de etanol no período de safra, no entanto,  foi superior a 25% em razão dos baixos preços praticados pelos produtores, o que levou a uma recuperação natural destes mesmos preços hoje, proporcionando sustentabilidade à produção. Segundo a Unica, não se configura a tese de que a opção de algumas usinas em aumentar a produção de açúcar tenha sido fator determinante para a redução da oferta de etanol. Até porque a capacidade de redirecionamento produtivo de etanol para o açúcar é restrita na maior parte da indústria.

Conforme informou a entidade que representa o setor, 18% de toda cana processada no Centro-Sul, cerca de 85 milhões de toneladas, é dedicada exclusivamente à produção de etanol.  A Unica ainda ressalta que, do volume adicional do açúcar exportado nessa safra, mais de 50% têm origem em safras anteriores. Os produtores arcaram com os custos financeiros dos estoques (custo de carregamento) tendo em vista que, em passado recente, o mercado mundial estava superofertado, com preços abaixo do custo de produção, outro motivo que contribuiu para delinear o cenário atual.

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