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Retrospectiva Canal/ Safra sucroenergética: impactos do clima e dos custos

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O custo da produção da safra 2014/2015 foi motivo de estudo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho denominado Levantamento de Custos de Produção de Cana, de Açúcar, Etanol, Bioeletricidade do Brasil identificou que a condição climática foi a principal causa de aumento dos custos.

Na região considerada tradicional – São Paulo e Paraná – o estudo mostrou queda de 6% da produtividade devido à forte seca,  enquanto o aumento de custos chegou a 3%. O custo de tonelada por hectare foi de R$ 87,60. Diferentemente, na região de Expansão – Goiás e Mato Grosso do Sul – a produtividade apresentou aumento de 7% em comparação com a safra 2013/2014. A causa foi o clima favorável. O custo de produção para essa região subiu em 3% – R$ 81,88 por tonelada/hectare.

Outro fator importante que as chuvas ocasionaram foi a alteração da ATR (Taxa de Açúcar Total Recuperável) nas duas regiões. Tradicionalmente a concentração  de ATR na cana no Centro – Oeste é superior a da região Tradicional. Mas devido às chuvas aconteceu uma inversão.

O pesquisador da Esalq, Carlos Xavier, explica que houve aumento de custos da safra 2014/2015 em comparação à passada devido às condições climáticas. Mas destaca que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acumulado de setembro de 2013 a setembro de 2014 foi de 3,6%, pouco acima do custo. “As despesas tiveram aumento, mas não comprometeram muito o setor. Embora o custo tenha sido um pouco acima da inflação, o usineiro teve maior dificuldade em ganhar dinheiro e ter lucratividade em função dos preços de venda dos produtos – açúcar e álcool –, que não mudaram”, explica.  Nessa linha, o pesquisador informa que há a expectativa de perca de 8% do preço em relação ao custo para o produtor da região tradicional.

Aspectos positivos

O levantamento identificou que o setor sucroenergético continua em dificuldade, mas a pesquisa revelou que cerca de 15% das usinas participantes da região Centro–Sul brasileira estão em situação positiva. Diferentemente do restante das usinas, essas empresas têm uma taxa de produtividade acima da média e estão com saldo positivo. “Cada unidade tem uma característica diferente que permite essa boa situação financeira”, afirma. As causas podem ser uma boa estrutura administrativa, preço competitivo de arrendamento de terras, entre outras.

Outro aspecto positivo identificado na pesquisa foi a geração de bioeletricidade. “Mesmo representando apenas 10% da receita do etanol, a geração de energia é um produto do setor sucroenergético que sempre gera lucro. Muitas usinas tiveram prejuízos com a produção de açúcar e álcool, mas cobriram os custos com a energia”, explica o pesquisador da Esalq.

A safra 2014/2015 produziu 20% a mais de energia por cogeração em comparação à anterior. O preço de venda também foi  20% superior.

Repensar

O estudo da Esalq identificou que a alta do dólar, que não influenciou diretamente a safra 2014/2015, será fundamental para o planejamento das usinas e dos produtores, principalmente para o período de entressafra e para a próxima safra.

O pesquisador da Esalq afirma que o aumento do dólar pode mudar a proporção de produção de etanol e açúcar. “O preço do etanol é dependente do mercado e do governo federal. A mudança no câmbio pode ser uma oportunidade de favorecer o preço do açúcar no mercado internacional”, explica.

Carlos complementa que os produtores de cana e usineiros devem tomar decisões com as informações mais recentes divulgadas pelo setor e não se basear em dados antigos para decidir o tamanho do canavial ou o mix da produção

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia