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Retrospectiva Canal 2017/ Cana-de-açúcar: mil e uma utilidades

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A cana-de-açúcar não é apenas para produzir garapa, etanol, bioplástico e bioeletricidade. O portfólio de produtos que tem a cana como matéria-prima é ampliado a cada dia. A novidade no mercado é a produção de pasta celulósica para papel.

Para se mensurar, um hectare de terra cultivada produz, em média, 75 toneladas de cana e 16 toneladas de palha. Desta palha, parte sai dos canaviais como resíduo junto da cana, mas uma grande quantidade fica no solo para benefícios agronômicos, como ciclagem de nutrientes e controle de plantas daninhas. O indicado para cobertura do solo é de 20% da palha.  Uma tonelada de palha é capaz de produzir uma tonelada de pasta celulósica. O restante é geralmente inutilizado. Uma sugestão é coletá-la para ser aditivo ao bagaço nas caldeiras, e assim, produzir mais energia. Mas a retirada do solo é fundamental para evitar os riscos de incêndios, reduzir o consumo de herbicidas, proliferação de ervas daninhas no canavial.

Papel

A FibraResist, localizada em Lençóis Paulista (SP), é a primeira indústria do mundo a extrair pasta celulósica a partir da palha da cana-de-açúcar, que até pouco tempo era mais um resíduo que ficava no campo.

A FibraResist  iniciou as operações em janeiro de 2017 e está em fase de comissionamento, isso é, de ajustes. Segundo o Relações Institucionais da empresa, Mario Welber, a previsão desta etapa é de seis meses.

A indústria tem uma área total de 60 mil m² e capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano, mas inicialmente a produção no primeiro ano de atuação será de 25% da capacidade total. A pasta celulósica produzida pela indústria brasileira é matéria-prima para fabricação de papéis tissue, papel capa de 1ª (Kraftliner), papel miolo, papel cartão, papel marrom e embalagens. Ela também pode ser utilizada na produção de outros papéis, fazendo parte de uma composição para indústrias que necessitem de fibra virgem.

Benefícios

A pasta celulósica retirada da palha da cana-de-açúcar é uma fibra virgem sem contaminantes. Por isso, existem algumas vantagens em ganhos de produtividade e rentabilidade. Uma delas é a produção de maior quantidade de papel com menos matéria-prima. “A indústria consegue produzir a mesma metragem de papel com menos insumo.”  Outro ponto positivo é no processo produtivo. A pasta celulósica é livre de impurezas. E a vantagem mais importante é o ganho institucional de se trabalhar com um produto ambientalmente sustentável que não agride o meio ambiente.

Toda a matéria-prima utilizada na indústria é resultado da parceria com a  Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus), que reuniu dez produtores de cana para fornecer a palha. “Devido a questões de transporte e logística, todos são da região de Bauru (SP)”, explica. O produtor rural recebe o valor convertido em serviços dentro da Cooperativa, como aquisição de fertilizantes, defensivos, uso da oficina mecânica da cooperativa, entre outras facilidades.

O processo

A FibraResist   recebe a matéria-prima e, em seguida, são retiradas as impurezas por meio de uma grande peneira. “Os resíduos servem de adubo nas fazendas produtoras e podem ser levados de volta ao campo, além de outras finalidades”, complementa Welber. Ele explica que a palha é triturada para que as fibras fiquem em um tamanho uniforme. Em um tanque, o biodispersante é adicionado às fibras para iniciar a separação do material até uma condição de polpa.

A etapa seguinte é a depuração desta polpa, que também é filtrada, desaguada e cortada em mantas para se transformar em pasta celulósica, que é encaminhada para as fábricas de papel. “O nosso principal diferencial é que todo o processo é feito a frio, em temperatura ambiente”, pontua o Relações Institucionais da empresa.

Todo o processo produtivo possui um circuito fechado, com água captada de poço artesiano, tratada e reutilizada. “Como o circuito é fechado, ela é decantada para voltar a ser utilizada. Os detritos obtidos com a decantação se transformam também em adubo. Esse processo leva em torno de 12 horas”, esclarece.

 

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia