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A importância do seguro na agroindústria

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Investir em mão de obra, tecnologia, insumos e plantio e ter parte da lavoura atingida por incêndio: com certeza essa experiência não é bem vinda por nenhum produtor agrícola. Entretanto, infelizmente, isso pode ocorrer com qualquer cultura – só no ano de 2016, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás atendeu 6.859 chamados de incêndio florestal, sendo 32 em canaviais.
Marco Túlio Tavares Silva, produtor de cana-de-açúcar do sul de Goiás, já passou por isso e não gosta de se lembrar do ocorrido. Graças ao seguro agrícola que havia contratado, teve o respaldo da seguradora e os prejuízos foram minimizados. “Quando precisei, a equipe da seguradora veio, fez vistorias, me indicou melhorias e recebi todo o suporte necessário. Eles fizeram um laudo e dentro de 90 dias me indenizaram. O valor que recebi foi compatível com o que estava combinado”, diz. Segundo o produtor, o seguro valeu a pena, já que foi possível refazer todos os insumos. Ele valorizava o serviço antes mesmo de contratar a modalidade agrícola. “Tudo aqui é assegurado. Tenho seguros de máquinas e humano e vou continuar contratando”, afirma.
Como Marco Túlio, outros produtores perceberam a necessidade de contratar essa modalidade de seguro. Em 2017, o crescimento real (descontado o IPCA) dos seguros rurais é de 16,88% com relação ao ano de 2016. De janeiro a maio deste ano, já foram R$1.475.231.227 em prêmios do seguro rural, frente aos R$1.210.774.433 do mesmo período do último ano. Os dados são da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
O alto crescimento, conforme explica o corretor de seguros Rodrigo de Melo Peraro, é resultado da colheita da safrinha de 2016, quando houve chuvas abaixo do esperado e alguns prejuízos para produtores. Ele afirma que o seguro rural é a melhor maneira de deixar o produtor despreocupado em relação a sua safra, pois garante que o custo por hectare gasto no plantio seja pago ao produtor, não gerando problemas com pagamento a bancos, fornecedores de insumos, entre outros.
Entretanto, para garantir que não haja problemas futuros, é importante avaliar a seguradora e o corretor. É necessário também que o segurado avalie, junto com o corretor de seguros, qual seguradora oferece as coberturas necessárias para a sua realidade e verificar que ela não possui em suas condições gerais exclusões de riscos que precisa ver garantidos na apólice.

José Cullen, diretor de seguro rural da Swiss Re Corporate Solutions.

Considerado o total de prêmios emitidos em 2016, o seguro rural representa 40,7%, conforme relembra o diretor de seguro rural da Swiss Re Corporate Solutions, José Cullen. “O seguro rural atende uma atividade que é muito sensível às influências externas, principalmente às variações das condições climáticas. As mudanças climáticas podem afetar o processo de plantio e colheita no campo, além de expor bens e equipamentos a processos mais acelerados de depreciação. Portanto, este seguro tem como característica a proteção básica para qualquer produtor de agronegócio”, diz Cullen. Joaquim Francisco, superintendente de agronegócios da Allianz Seguros, concorda. “A busca por seguro rural está especialmente ligada aos riscos climáticos, já que os principais motivos para indenizações são seca, geadas, granizo e chuvas excessivas.”
O diretor de Property e Responsabilidade Civil da Aon Brasil, Alexandre Jardim, avalia que a procura tem sido crescente principalmente pelas modalidades de seguros não tradicionais (paramétricos) e pela possibilidade de apuração e indenização mais especificas, bem como pela contratação realizada pela cadeia produtiva, e não somente pelo produtor. “Quando falamos em cadeia produtiva, estamos elevando a possibilidade, necessidade e solução também para empresas que estão por traz do produtor, como de fertilizantes, defensivos e processadoras de alimentos”, comenta.

Joaquim Francisco, superintendente de agronegócios da Allianz Seguros.

Na Allianz Seguros, o seguro rural representa cerca de 4% na carteira de atendimentos. Joaquim Francisco revela que as perspectivas futuras são muito boas, tendo em vista que o agronegócio tem sido responsável por amparar a economia nacional. “Esse cenário nos leva a ampliar constantemente a carteira de agronegócio, atendendo o crescimento da demanda de mercado em parceria com uma vasta rede de corretores especializados, que estão distribuídos nas regiões de maior aptidão e interesse de contratação pelos agricultores.”

Tipos de seguros
O seguro rural é um produto que oferece a segurança necessária para uma produção estável. “Neste segmento, existe uma série de coberturas oferecidas que vão desde seguros patrimoniais, como para maquinários, até produtos direcionados para as lavouras”, comenta José Cullen. As garantias do seguro rural abrangem desde eventos que afetam a produção, como incêndios, e condições climáticas adversas, a fatores que atrapalhem a colheita, como excesso de chuvas, por exemplo. As modalidades de seguro rural são agrícola, pecuário, aquícola, benfeitorias e produtos agropecuários, penhor rural, florestas, vida do produtor rural e cédula do produto rural.
O produtor pode escolher entre as garantias tradicionais, paramétrico, de produtividade e de clima. A tradicional oferece cobertura para uma eventual quebra da safra decorrente de incêndio, raio e eventos climáticos; a de produtividade é voltada para cobertura para quebra de safra via determinação de índices de produtividade de instituições oficiais para a região onde o segurado se encontra; paramétrico cobre determinado evento climático e é efetivado após a superação do índice e a de clima cobre a safra via determinação de índices climáticos que possam afetar a produtividade/qualidade das culturas objeto do seguro.

Alexandre Jardim, diretor de Property  da Aon Brasil.

Alexandre Jardim explica que as especificidades dependem da modalidade desejada pelo cliente. “A especificidade pode variar entre um seguro com abrangência para eventos usuais de danos, como incêndio e ocorrências climáticas diretamente ligada a área segurada, ou estipulação de “gatilhos”, que vão definir a indenização ou não. Deste modo, não está relacionando com danos diretos as áreas seguradas”, diz.

Investimentos
Atualmente, menos de 10% da área cultivada do Brasil tem algum tipo de proteção via seguro. De acordo com Alexandre Jardim, isso se deve ao fato de que o custo do seguro ainda representa uma parcela importante nas despesas que um produtor possa ter. “A subvenção federal é um dos aliados para auxiliar o produtor a ter um custo de seguro mais adequado a sua estrutura financeira, visto que ela arca com parte do prêmio de seguro. Entretanto ela tem suas limitações orçamentárias.” Com relação ao valor agregado que o seguro traz ao produtor e cadeia produtiva, Alexandre Jardim esclarece que trata-se de uma proteção importante e que pode, em uma eventual quebra de safra, fazer a diferença entre a continuação de sua atividade ou não.
Rodrigo Peraro revela que, atualmente, o seguro representa, em média, 5% do valor do custo total investido para um hectare plantado. “Com certeza o seguro é um investimento, pois ele ajuda o produtor a não ter prejuízos com sua lavoura, o que agravaria a crise econômica. Não podemos também falar que seria um gasto, pois o custo pago às seguradoras é relativamente baixo, comparando a cobertura que é oferecida”, diz Rodrigo, comentando, ainda sobre o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), pelo qual o governo federal apoia financeiramente os produtores que contratarem essa modalidade de garantia, arcando com parcela dos custos de aquisição do seguro. O percentual de subvenção varia de 40% a 60% de acordo com as prioridades da política agrícola formulada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As modalidades de seguro rural amparadas pelo PSR são agrícola, pecuária, florestas e aquícola.

Problemas
Marco Túlio Tavares Silva, produtor de cana que precisou recorrer à seguradora quando sua propriedade sofreu um incêndio, reclama pelo fato de que, ao tentar renovar o seguro, os valores foram superiores ao anterior. “Como fui indenizado, quando fui renovar o contrato a seguradora elevou em torno de 20% o custo, porém, o valor assegurado caiu em 75% do prêmio anterior. Suspendi as negociações e entrei em contato com outra seguradora”, comenta.
Sobre essas alterações, a advogada especialista em seguros, Allinne Rizzie Garcia, comenta que são avaliados alguns fatores. “Ao renovar o contrato, a seguradora irá reavaliar o risco, que deve ser devidamente qualificado, bem como mensurar as possíveis perdas, sob pena de superestimação ou subestimação do prêmio. Neste sentido, irá avaliar diversos fatores, como as coberturas pretendidas, os valores das importâncias seguradas, a sinistralidade, a localização e os métodos utilizados pelo segurado. E, neste caso, poderá elevar o prêmio na renovação.”
Além disso, conforme orienta a advogada, em caso de sinistro as seguradoras possuem o prazo de 30 dias para o pagamento da indenização após a entrega completa dos documentos pelo segurado. “Caso haja abuso por parte da seguradora, o segurado poderá obter mais informações junto ao seu corretor de seguros, e, caso não seja suficiente, poderá buscar o Procon ou a Susep”, esclarece.

 

Ana Flávia Marinho – CANAL-Jornal da Bioenergia