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Impostos dificultam crescimento da energia renovável

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Reduzir a conta de energia elétrica é vontade tanto do empresário, como da dona de casa. Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Ibope Inteligência mostra que aproximadamente nove em cada dez brasileiros (89%) gostariam de poder gerar energia elétrica em casa. Ainda nesta pesquisa, 41% dos entrevistados declararam que a energia elétrica no país é muita cara. Já entre 36% para 39% afirmam ser cara, enquanto 15% asseguram ser justa.

Para atender o desejo da população de gerar a própria energia um caminho é o uso da energia solar fotovoltaica – energia obtida através da conversão direta da luz em eletricidade. Segundo o Presidente Executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Lopes Sauaia, a tecnologia solar fotovoltaica é a fonte mais versátil. “O recurso, sol, é democrático, acessível e disponível em qualquer região do país”, explica.

Outra vantagem é ser um sistema de baixo curto de operação e manutenção. Os equipamentos são robustos, não possuem parte móvel e têm garantia de 25 anos, além de não apresentarem barulho e ainda não fazerem o uso de água. Devido a todas estas vantagens, o uso placas solares representa 99,3% dos sistemas de mini ou microgeração distribuída no país. O Brasil tem hoje 24.565 destes sistemas, segundo dados da Absolar.

A fonte solar no Brasil alcançou 1,1 GW em usinas em operação e atingiu em maio marca histórica de 250 megawatts (MW) de potência instalada em sistemas de microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural. No campo da geração distribuída, são mais de 27 mil unidades consumidoras em operação, que juntas totalizam mais de 320 MW de capacidade. Atualmente, a potência de energia solar fotovoltaica centralizada brasileira é de 965,3 MW e 246 MW da distribuída.

A geração distribuída é produzida por micro, pequenos e médios produtores para consumo próprio e o excedente pode ser exportado para a rede. Em números de sistemas instalados, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 77,4% do total. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (16%), consumidores rurais (3,2%), indústrias (2,4%), poder público (0,8%) e outros tipos, como serviços públicos (0,2%) e iluminação pública (0,03%).

Em potência, os consumidores dos setores de comércio e serviços lideram o uso da energia solar fotovoltaica, com 42,8% da potência instalada no País, seguidos de perto por consumidores residenciais (39,1%), indústrias (8,1%), consumidores rurais (5,6%), poder público (3,7%) e outros tipos, como iluminação pública (0,03%), e serviços públicos (0,6%).

De acordo com a entidade, o Brasil possui hoje 27.803 sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, trazendo economia e sustentabilidade ambiental a 32.924 unidades consumidoras, somando mais de R$ 1,9 bilhões em investimentos acumulados desde 2012, distribuídos ao redor de todas as regiões do País.

Gargalos

O setor de energia solar ainda precisa vencer desafios para crescer no Brasil. Estimativas do Governo Federal indicam que até 2026 o país terá de geração distribuída a  potência instaladas de 3,56 GW, o que representaria 800 mil sistemas em solo brasileiro. Para Absolar este número é muito pequeno. “O Brasil possui uma alta irradiação solar. Temos 80 milhões de unidades consumidoras, e o número esperado pelo Governo é de apenas 1%”, declara Sauaia.

O Presidente Executivo da Absolar afirma que o principal entrave para este crescimento são as faltas de linhas de financiamento para atender pessoas físicas. Uma boa notícia foram as condições facilitadas liberadas em abril pelo Ministério da Integração Nacional, os Fundos Constitucionais para três regiões – Centro-Oeste, Norte e Nordeste, que apoiam a implantação de sistemas micro e minigeradores de energia elétrica por fontes renováveis para pessoas físicas. As linhas de crédito têm quase R$ 3,2 bilhões disponíveis para investimentos, associando juros muito abaixo das taxas de mercado e prazos mais longos de pagamento.

Rodrigo Pedroso, CEO do Grupo Pacto Energia e membro do conselho de administração da Absolar complementa que a cadeia produtiva cresce, mas atualmente a maior dificuldade está nas fábricas de módulos, pois o produto nacional ainda é muito mais caro que o importado.

 

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia