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Entrevista | Donizete Tokarski-Ubrabio

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Investimento que gera desenvolvimento

Donizete José Tokarski é superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), onde atua desde a fundação da entidade, em 2007. É graduado em Engenharia Agrônoma com especialização em Atividade de Gestão Ambiental pela FAO/ONU, em Madrid (Espanha). É também produtor rural e consultor em meio ambiente e recursos hídricos. Foi chefe de gabinete da Secretaria de Políticas Regionais da Presidência da República, chefe de gabinete do Ministério da Justiça e do Ministério da Agricultura e assessor técnico do Senado Federal e presidente do Grupo Executivo Interministerial de Movimentação de Safras (Gremos).

Canal: Como o setor de biodiesel e bioquerosene reagiu à aprovação do RenovaBio?

Donizete Tokarski: A aprovação do RenovaBio foi uma sinalização muito positiva do governo para o setor de biocombustíveis, que há anos busca uma política de longo prazo, com previsibilidade para que se possa planejar investimentos. Além disso, essa aprovação mostra o engajamento de diversos setores em uma questão que ultrapassa as fronteiras nacionais. O mundo está caminhando para uma economia limpa e, com o RenovaBio, o Brasil pode assumir a vanguarda nesse processo de transição energética. O RenovaBio vai muito além de uma política para o setor de biocombustíveis. É uma política de Estado que trata de meio ambiente, desenvolvimento socioeconômico, investimento em inovação e cuidado com a saúde pública.

Canal: Quando o setor deve sentir os primeiros impactos do programa?

Donizete Tokarski: No dia 16 de março foi publicado o decreto presidencial que regulamenta o RenovaBio, que precisa passar por esta fase de regulamentação e estabelecimento de metas para entrar em vigor de fato. Então, estimamos que levará mais ou menos dois anos e meio para que as mudanças práticas sejam de fato percebidas.

Canal: Por que investir num programa como o RenovaBio? Quais deverão ser os resultados práticos?

Donizete Tokarski: Porque o investimento em combustíveis renováveis e descarbonização é uma necessidade global para manutenção da vida no planeta. A solução que o Brasil encontrou para gerar riqueza com o menor impacto em termos de emissões é investir em biocombustíveis. Do ponto de vista econômico, o setor de biocombustíveis estima a geração de 1,4 milhão de novos empregos no Brasil até 2030, além de aumento da arrecadação pública, ganhos de eficiência na produção dos biocombustíveis e bonificação via mercado das usinas produtoras mais modernas, participação competitiva dos diversos biocombustíveis no mercado nacional e incentivo às indústrias de plásticos verdes, insumos agrícolas, fertilizantes, máquinas, biotecnologia entre outras. Do ponto de vista ambiental, espera-se a redução de 571 milhões de toneladas de CO2eq., volume que equivale a três vezes o total projetado para emissão pelo desmatamento de florestas no Brasil de 2014 a 2030, além, é claro, da significativa melhoria na qualidade do ar, especialmente nas grandes cidades, reduzindo os casos de internações e mortes causadas pela poluição, diminuindo os gastos com saúde e as filas nos hospitais.

Canal: Quais as ações do setor no sentido de contribuir com as metas do programa?

Donizete Tokarski: O setor de biodiesel começou a participar das discussões com MME que antecederam o RenovaBio, em meados de 2016. O papel socioeconômico dos biocombustíveis na matriz energética nacional do RenovaBio é totalmente aderente aos objetivos defendidos pelo setor em promover a adequada expansão da produção e do uso de biocombustíveis na matriz energética nacional, na promoção de investimentos e empregos e na melhoria da qualidade de vida pela expansão do uso de combustíveis mais sustentáveis. Por isso, vamos continuar participando de todo o processo de estabelecimento de metas e definições do funcionamento do programa.

Canal: Com relação ao cenário mundial, o Brasil está avançado nos investimentos a renováveis ou ainda há muito o que desenvolver?

Donizete Tokarski: O Brasil demorou muito tempo para criar uma política pública de longo prazo para os biocombustíveis. O artificialismo nos preços internos dos derivados de petróleo em relação à cotação internacional, no passado recente, acabou sendo um subsídio aos combustíveis fósseis e nefasto para os biocombustíveis e até mesmo para a Petrobras. As importações de gasolina, diesel e até mesmo o etanol tem batido recordes. E o pior, com a infraestrutura logística e portuária estrangulada e abandono e adiamento de novas refinarias.

Esse tenebroso cenário acabou inibindo investimentos e “quebrando” muitas unidades de produção de biodiesel e de etanol. Com o RenovaBio, espera-se inverter essa lógica perversa potencializando investimentos não somente para o biodiesel e etanol, biogás, biometano, mas também permitindo a criação de um novo e promissor setor – o bioquerosene de aviação.

Canal: O que foi aprovado atendeu às expectativas e interesses dos produtores de biocombustíveis? Há algo que não foi contemplado?

Donizete Tokarski: A construção do RenovaBio, desde o início, foi pautada pelo diálogo e busca de convergências de forma técnica e transparente e com foco na segurança do abastecimento e na previsibilidade. Tanto é que passou por um longo período de consulta pública, recebeu contribuições de diversos setores e foi discutido na Câmara dos Deputados e no Senado Federal até ser aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado. O RenovaBio ainda está em construção e a Ubrabio continuará colaborando no aperfeiçoamento e regulamentação dessa política tão importante para um país que possui inigualável potencialidade nos fatores de produção e liderança como Economia Verde. Estamos diante de uma combinação de Política de Desenvolvimento Agroindustrial com Política Energética construindo um caminho para o Brasil se firmar como liderança mundial energética e ambiental, com grande impacto geopolítico.

Ana Flávia Marinho-Canal-Jornal da Bioenergia