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Entrevista com Plínio Nastari : o futuro com o Renovabio

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Plínio Nastari é presidente da Datagro, consultoria especializada em açúcar e etanol. Atuou como membro dos Comitês Técnicos do Conselho Interministerial do Brasil sobre Açúcar e Álcool, Comissão Nacional de Energia e Comissão de Reexame da Matriz de Energia.

 

Canal: O futuro dos biocombustíveis é positivo?

O CNPE aprovou a meta de redução de 10,1% na intensidade de carbono dos combustíveis no Brasil até 2028, passando de 74,25 gramas de gás carbônico eq/mj em 2017 para 66,75 gramas de CO2, eq/mj em 2028.

Segundo as projeções de mercado da EPE, consideradas como referência para as estimativas de mercado, esta meta significa uma expansão do mercado de etanol combustível, de 26,7 bilhões de litros em 2018, para 47,1 bilhões de litros em 2028. Para o biodiesel, a expansão prevista é de 5,7 para 11,1 bilhões de litros, no mesmo período. Para o biometano, a expansão prevista é de 0 para 0,25 milhões de metros cúbicos por dia, entre 2018 e 2028.

Portanto, as metas aprovadas para o Renovabio oferecem uma indicação (não um mandato) de qual o mercado projetado à frente (até 2028) para os biocombustíveis, que poderão servir de referência para investimentos em aumento de eficiência e aumento de capacidade de produção.

 

Canal: Quais serão os efeitos práticos do Programa?

Alguns países têm feito muito pouco para atender as metas definidas junto ao Acordo do Clima. Outros países simplesmente não assinaram o acordo, e os EUA depois de assinarem, se retiraram do mesmo. Com o Renovabio, o Brasil reafirma o seu compromisso com as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, definidos no acordo, criando um mecanismo que permitirá a redução de aproximadamente 600 milhões de tons de carbono, em CO2 equivalente, nos próximos 10 anos. Esta emissão corresponde à emissão atual de cerca de dois anos no setor de transportes, e é portanto bastante relevante.

 

Canal: De que forma os produtores estão se envolvendo no desenvolvimento das metas do Renovabio?

As metas aprovadas para o Renovabio foram propostas pelo Comitê Renovabio, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, e submetidas à consulta publica no dia 4 de maio de 2018. Houve ampla participação dos principais agentes que atuam neste mercado. Foram recebidas 126 contribuições de 36 entidades, associações e indivíduos, através de 43 documentos separados.

 

Canal: Mundialmente, como tem sido a repercussão do Programa?

A repercussão do Renovabio em todo o mundo tem sido enorme. O canal principal de comunicação tem sido a plataforma para o biofuturo, um grupo de 20 países que representam mais de 60% da população do planeta, que tem contato com o Brasil como facilitador. Na COP-23, em Bonn, a plataforma apresentou uma declaração de visão, apoiada pela Agência Internacional de Energia (AIE) e Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), indicando que para que seja atingido o objetivo de limitar o aquecimento global a 2°C é mandatório que até 2030 dobre a proporção da bioenergia e triplique a proporção os bicombustíveis  na demanda mundial de energia.

Há um senso de urgência em todo o mundo sobre a necessidade de se ampliar a produção e o uso de biocombustíveis , e que esta meta é factível para a produção de biocombustíveis produzidos de forma sustentável.

 

Canal: Em quanto tempo será possível notar os impactos do Renovabio na produção nacional?

Acredito que os impactos já começaram a ser notados a partir deste ano, embora a implementação plena aconteça apenas a partir de janeiro de 2020. Nos primeiros 4 meses de 2018, foram gerados mais de 23.500 empregos diretos nos polos de Ribeirão Preto, Sertãozinho e Piracicaba, relacionados à indústria e comércio. É a economia começando a girar novamente para a produção de máquinas e equipamentos, com o objetivo de aumentar a capacidade de produção de biocombustíveis no Brasil.

 

Canal: Haverá recuperação econômica do setor sucroenergético e das demais cadeias produtivas atreladas a ele?

Sem duvida. O setor tem um grande efeito multiplicador, que mais recentemente vem sendo denominado de economia circular. Este efeito alimenta a venda de insumos, equipamentos agrícolas e industriais, salários, e portanto o comercio e indústria locais.

 

Canal: Sobre a produção de açúcar e bioeletricidade, quais serão os cenários futuros?

A produção de bioeletricidade será muito estimulada através do Renovabio, pois o programa induz o aumento de eficiência energética das unidades produtoras, o que vai levar a geração de mais excedentes exportáveis. A produção de bioeletricidade, de etanol de segunda geração, de biogás e biometano para a geração elétrica e a substituição de diesel, serão alavancas de transformação e modernização da indústria. Quanto ao açúcar, o ciclo de preços é inevitável, e no médio prazo haverá investimentos também para ampliação da produção de açúcar, sem comprometer no entanto as metas de produção de etanol. O Renovabio inclui mecanismos que incentivam a estruturação do mercado de etanol em contratos, que devem aumentar a previsibilidade e a estabilidade da produção do biocombustível. No mundo de energia, tão ou mais importante do que o preço, o que vale é a garantia e a estabilidade do suprimento. Com o Renovabio tendemos a ter no futuro menor sazonalidade nos preços de etanol, durante os períodos de safra e entressafra, com a possível estruturação do mercado em contratos.

 

Ana Flávia Marinho-Canal-Jornal da Bioenergia