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Entrevista | Amaury Pekelman-Bioenergia: uma estratégia para a matriz energética brasileira

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Amaury Pekelman é economista e foi eleito presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop) no dia 26 de julho para o biênio 2018/2020. Ele atua como Vice-Presidente de Relações Institucionais da Atvos e possui ampla experiência em Assuntos Institucionais e Comunicação com mais de 20 anos de proficiência em marketing, relações com a comunidade, relações públicas e gestão de eventos corporativos, já tendo trabalhado para empresas de mídia, agroindústria e mineração.

Pekelman assumiu a presidência em um momento de mudanças na grade regular de eventos da Udop. Além do Congresso Nacional da Bioenergia, a entidade passará a realizar, anualmente, o Seminário Udop de Inovação, que será nos dias 7 e 8 de novembro e o Fórum Udop de Implementação Tecnológica, nos dias 13 e 14 de março de 2019.

 

Canal: Para a Udop, quais os principais desafios do biênio 2018/2020?

Amaury: O principal desafio para nosso setor é, seguramente, conseguirmos sobreviver até que o RenovaBio possa trazer, de forma efetiva, a esperança que tanto almejamos do retorno de investimentos na melhoria da eficiência das operações, na redução de custos e porque não dizer, no retorno até de investimentos em ampliação de capacidade e produção.

Canal: Quais são os gargalos atuais do setor?

Amaury: Talvez o principal gargalo do setor hoje seja mesmo o da baixa produtividade, reflexo do baixo investimento em pesquisas de manejo e de novas variedades adaptadas para as novas fronteiras agrícolas, que ocasionou em perda de produtividade superior a 30% em alguns casos. Vencer este desafio requer mais investimentos em pesquisas de campo e aplicabilidade destes estudos, de forma prática e perene, nas agroindústrias canavieiras. Pensando nisso a Udop vem firmando, desde o ano passado, inúmeras parcerias com centros de pesquisas e universidades para fomentar o retorno das pesquisas, dando, ainda, publicidade aos resultados que possam trazer ganho de produtividade ao nosso setor.

Canal: A formação do profissional ainda será uma das atuações principais da Udop? Quais serão os principais focos dos cursos?

Amaury: Sim, a Udop manterá seu foco naquilo que faz de melhor: a capacitação profissional, aliado a posicionamentos institucionais de seus associados. Por isso estamos aumentando nossa grade regular de cursos e criando dois outros grandes eventos: o Seminário Udop de Inovação, que neste ano realizaremos nos dias 7 e 8 de novembro e o Fórum Udop de Implementação Tecnológica, que realizaremos em março de 2019. Juntos, estes dois eventos e mais o Congresso Nacional da Bioenergia, consolidarão nossos esforços na qualificação profissional para superarmos este momento de crise. Continuaremos, também, focados na formação de turmas de MBA voltadas para o setor e nos cursos operacionais.

Canal: Qual a importância da bioenergia para o crescimento econômico brasileiro?

Amaury: Não podemos falar em futuro promissor se não considerarmos a bioenergia estratégica para a matriz energética brasileira, e isso está diretamente ligado ao crescimento econômico brasileiro. Para voltar a crescer e não ter um apagão energético, o Brasil precisa da bioenergia, tanto do etanol para mover os motores do Ciclo Otto, quanto da bioeletricidade, para abastecer de energia verde nosso País. Além disso, precisamos quantificar todas as externalidades positivas de nosso setor, desde os benefícios ambientais, passando pelos benefícios socioeconômicos, por gerar emprego e renda no campo, para que possamos cumprir os compromissos climáticos do acordo de Paris, para citar apenas estes.

Canal: Qual a avaliação da última safra de cana? O clima e o envelhecimento dos canaviais influenciaram nestes números?

Amaury: O clima é um fator que efetivamente impacta em nossa produção. Precisamos buscar novas tecnologias para nos adaptar a estiagens mais severas e, consequente, menores índices pluviométricos da média histórica. Para esta safra (2018/2019) a falta de água trouxe um compensador, que é o ganho de ATR na cana, mas para a próxima temporada, podemos prever perdas consideráveis na produtividade, tanto da cana soca como da cana planta, diretamente impactadas pela falta de água.

Canal: E quais as expectativas para a próxima entressafra?

Amaury: Teremos uma entressafra mais longa este ano, com um encerramento antecipado da safra 2018/2019 para meados de novembro. Isso nos dá quase que um mês a mais de entressafra. No entanto, temos um estoque considerável de etanol para este período maior, justamente pelo fato da maioria das usinas estarem priorizando a produção de etanol, devido aos preços nada bons do açúcar no mercado internacional.

Canal: Como é a interlocução do setor com o Governo Federal? Quais as expectativas para 2019?

Amaury: Nossa interlocução com o Governo Federal vem sendo muito boa junto aos principais Ministérios a que estamos ligados. Vale destacar a aprovação extremamente rápida do Renovabio, apoiado por todo Governo Federal. Agora passaremos por um período de transição política, com eleições para o Palácio da Alvorada, Senado Federal, Câmara dos Deputados, Governos Estaduais e Assembleias Legislativas, porém, tenho absoluta certeza que o setor vai estreitar os laços com os Poderes Constituídos e eleitos, soberanamente, para o próximo mandato, independentemente de quem estiver no poder. Defendemos sempre que haja uma relação saudável para que possamos mostrar, ao Governo, a importância de nosso segmento, que por anos tem sustentado a balança comercial do agronegócio brasileiro.

 

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia