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Entressafra: manutenção bem planejada é fundamental

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A entressafra canavieira está se aproximando. Vem aí a fase de manutenção mais demorada e detalhada das usinas.

O professor de Engenharia Mecânica e Engenharia de Controle e Automação e Coordenador Curso de Especialização em Engenharia de Manutenção da Faculdade de Engenharia (FENG) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC- RS), Edir dos Santos Alves, explica que em todo o processo produtivo, especialmente de processo contínuo, requer uma grande reforma e/ou a uma atualização tecnológica dos equipamentos em determinado momento da vida de uma planta fabril. “A realidade do setor sucroenergético possibilita de forma sazonal, geralmente na entressafra, para a execução de uma parada planejada executar manutenção geral”, pontua. Para isso, toda usina deve ter um Planejamento e Controle da Manutenção (PCM), que define as estratégias com datas e necessidades.

A imperícia ou negligência da equipe de manutenção durante uma intervenção de reparo nos equipamentos pode ter consequências catastróficas e acarretar em um grave acidente, com forte impacto ambiental ou até mesmo morte, comprometendo a imagem da empresa.

Assim, o período – que é intermédio entre uma safra e outra – é a oportunidade de desligar os equipamentos da planta e colocar em dia todas as intervenções necessárias ou pendentes, além de realizar as devidas melhorias identificadas durante as ações corretivas de emergência realizadas no período da safra anterior.

Os custos da manutenção não planejada de equipamentos críticos são elevados, especialmente quando não existem redundâncias para impedir que planta deixe de produzir ou comprometa a qualidade dos produtos. “O importante é a equipe de manutenção ter competência para aumentar o tempo médio entre falhas de seus equipamentos, o que permite obter um custo médio viável. Muitas vezes são ‘ações invisíveis’ dessa equipe que permitiram uma prevenção de manutenção para não deixar uma ‘quebra visível’ dos equipamentos sendo fundamental uma conversão econômica de tais ações”, pontua o professor.

O engenheiro mecânico, Luciano Marques explica que há dificuldade em mensurar custos de todo o processo de uma usina, mas uma indicação é a contratação de empresas terceirizadas de manutenção. “Ter um departamento exclusivo para esse trabalho pode gerar custos e encargos e uma possibilidade é a contratação de especialistas”, sugere. Segundo ele, muitas usinas usam o período chuvoso, que coincide com a entressafra, para parar a planta e reorganizar a usina. “Assim, aproveita-se que os caminhões carregados de matéria prima não saem do campo”, complementa.

Marques complementa que em um passado recente, há 15 a 20 anos, toda a usina era desmontada para a revisão, mas atualmente, devido a análises laboratoriais e equipamentos mais sensíveis reduziu-se a necessidade da desmantelar.

Precaução

De acordo com Luciano Marques, a manutenção preditiva nas usinas serve para evitar uma parada sem programação na indústria, o que acarreta na perda de lucro. “A cana-de-açúcar, que é a matéria prima das usinas, é perecível e tem um tempo certo para seguir para a moagem”, explica.

Este tipo de manutenção permite identificar uma possível falha e agendar o planejamento de manutenção. Um estudo realizado pela Plant Performance Group identificou que a adoção da manutenção preditiva gerou uma economia de até 75% nos custos de manutenção em uma série de empresas que foram acompanhadas.

Por isso, todo o equipamento avaliado como crítico pelos gestores da usina justifica o emprego sistemas modernos para o monitoramento dos sinais de degradação de componentes que indicam pouca sobrevivência, através de técnicas para fazer prognóstico de falhas. “Fundamental ao aplicar manutenção preditiva uma análise das tendências de falhas potenciais. Dessa maneira, uma única estratégia de manutenção não é economicamente viável ser empregada em toda a usina e a manutenção preditiva requer profissionais especializados para a decisão do momento certo de realizar uma intervenção”, pontua o professor da PUC-RS.

E uma das ações da manutenção preventiva são as inspeções periódicas, que não requerem paradas do equipamento e permitem os devidos ajustes para ações futuras de peças que precisam de reposição e quando necessário a contração de serviços externos. Como ferramenta na manutenção preditiva está à análise de vibração, que permite identificar a origem dos esforços presentes em uma máquina em operação, assim como a presença de falhas, que devem ser reparadas o mais  antecipadamente possível para prevenir o aumento do dano existente. Também se usa a termografia, que identifica pontos ou regiões do equipamento com temperaturas diferentes das pré- estabelecidas. Além disso, a medição de espessuras  e a análise de trincas por partículas magnéticas, que detecta defeitos como trincas, junta fria, inclusões, gota fria, dupla laminação, falta de penetração, dobramentos, segregações, entre outros.

Por ser uma indústria pesada, a sugestão dos especialistas é realizar mensalmente vistorias na usina, mas com cuidado especial a linha de moagem. “Esta área é o coração da usina. Se parar, todo o trabalho é interrompido”, fala Luciano. Outro ponto que merece a atenção, devido a periculosidade, são as caldeiras, que gera a energia de toda a planta. “São equipamentos caros que podem explodir”, elucida. Não se esquecendo dos geradores de energia, que são de difícil reposição e da destilaria e bombas.

 

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia