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Goiás Agora

Casa Solar é referência em sustentabilidade de moradias de interesse social

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Recém-inaugurado pelo Governo de Goiás, o Residencial Luciano Peixoto, em Pirenópolis, é o primeiro de interesse social do Brasil em escala com sistema de geração de energia solar fotovoltaica.O residencial conta com 149 moradias equipadas com o sistema, que pode gerar de 40 a 70% de economia na conta de energia das famílias.

A implantação do projeto Casa Solar da Agência Goiana de Habitação (Agehab) representa um gol de placa em meio às iniciativas governamentais de adoção de novas tecnologias para garantir a sustentabilidade dos empreendimentos habitacionais e promover a inclusão social com moradia digna e de qualidade para as famílias que mais precisam.

Com o Casa Solar, a Agehab passou a ocupar as principais vitrines de discussão da cadeia produtiva da energia solar fotovoltaica do País. Chamou a atenção de gestores públicos de todo o País e também do Ministério das Cidades, que recomendou o sistema para os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida.

Até o final do ano, o projeto Casa Solar estará em quatro municípios, beneficiando 1,2 famílias. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) reconheceu o pioneirismo do projeto goiano, que transforma-se em referência de boa prática na sustentabilidade de moradias de interesse social. Nesta entrevista, o presidente da ABSOLAR, Rodrigo Lopes Sauaia, fala sobre o pioneirismo das iniciativas goianas, a exemplo do Goiás Solar e Casa Solar, e destaca o compromisso do Governo de Goiás com o fortalecimento da diversificação das matrizes energéticas, especialmente a energia solar fotovoltaica. Ele afirma categoricamente que Goiás é um exemplo a ser seguido.

Como funcionou a parceria firmada entre o Governo de Goiás e a ABSOLAR na elaboração do Programa Goiás Solar?

Rodrigo Sauaia – A associação vem contribuindo há dois anos com o desenvolvimento do programa estadual para a energia solar fotovoltaica, o Goiás Solar, lançado pelo governador Marconi Perillo em fevereiro deste ano, com coordenação do secretário Wilmar Rocha (Secima) e apoio técnico da Absolar. Contribuímos com o conhecimento específico sobre a tecnologia, mercado, características, desafios, oportunidades e potenciais de aplicação dessa fonte em Goiás. Numa parceria bastante profissional, esse trabalho culminou no programa Goiás Solar. O Casa Solar é um projeto desenvolvido pela Agehab e a meta é instalar energia solar fotovoltaica em 1,2 mil residências de interesse social até o final do ano. Essa meta coloca Goiás como uma referência em âmbito nacional pelo pioneirismo da iniciativa. Foi a primeira vez que um governo estadual lançava um programa dessa escala e magnitude, incluindo energia solar fotovoltaica desde o projeto das residências na habitação de interesse social. O projeto terá um impacto muito significativo para as famílias, pois traz uma economia nos gastos de 40 a 70% com a energia, permitindo que as famílias beneficiadas aliviem o orçamento e invistam esse recurso em alimentação, saúde, educação e na qualidade de vida.

Rodrigo Sauaia – Presidente ABSOLAR O residencial Luciano Peixoto é o primeiro com essas características?

Rodrigo Sauaia – É o primeiro em escala utilizando essa tecnologia desde o processo de concepção das edificações. Existem projetos pilotos que foram desenvolvidos em outros estados e alguns de pequena escala com objetivo de testar a tecnologia. O que nós temos em Goiás é o primeiro projeto em escala de aplicação da tecnologia, vamos dizer que é sair da teoria e da experimentação para a prática, para a implementação em larga escala.

Essa meta de 1200 unidades até o final do ano é satisfatória?

Rodrigo Sauaia – Primeiro ponto é entender que a meta representa um marco, um primeiro passo muito importante por parte do Governo de Goiás. Sinaliza o compromisso com a adoção dessa tecnologia de forma abrangente para o benefício da população. Em conversas com o governador Marconi Perillo, com secretário Wilmar Rocha e a equipe da Agehab, nós identificamos que existe um interesse em aumentar a escala do programa. A ABSOLAR incentiva esse tipo de iniciativa na medida em que existe um déficit habitacional que precisa ser superado não só no estado, mas no Brasil e a inclusão dessa tecnologia nas residências de interesse social contribuirá de forma significativa para a qualidade de vida e para a melhoria das condições de vida dessa população. Os benefícios são econômicos e sociais.

Outro benefício é ambiental?

Rodrigo Sauaia – Seguramente. Eu diria que são vários eixos de benefícios que a iniciativa traz. Primeiro o benefício imediato, que é o social, de economia nos gastos com a energia elétrica. Por outro lado, promove a geração de empregos de qualidade. O projeto de Pirenópolis incluiu o treinamento de profissionais da comunidade que agora podem prestar serviço e ter uma fonte de renda adicional na manutenção desses sistemas. Outro benefício é a atração de novas empresas e fomento do empreendedorismo na região, uma vez que a tecnologia cria uma demanda por novos equipamentos, materiais e serviços. Para o poder público, a tecnologia ajuda a aquecer a economia local e a arrecadação. Temos o benefício ambiental, com a redução dos impactos na geração de energia elétrica. A Energia Solar Fotovoltaica é uma fonte limpa, renovável, de baixo impacto ambiental e que não emite resíduos. No benefício estratégico há maior autonomia energética para a população beneficiada e isso ajuda a diversificar a matriz elétrica, aumentando o potencial gerador de energia. Inclusive durante o Brasil Solar Power, evento nacional do setor solar fotovoltaico organizado pela ABSOLAR, o governador Marconi Perillo falou do interesse do Estado em incorporar a energia solar fotovoltaica nas escolas como um vetor de educação, conscientização e economia para as escolas públicas. Nós da ABSOLAR aplaudimos a iniciativa.

Na sua avaliação, o interesse do poder público em incorporar a energia solar fotovoltaica nos programas habitacionais tem aumentado?

Rodrigo Sauaia – Com certeza é uma tendência, porque tem se tornado cada vez mais competitiva, em especial na habitação popular com o uso de tecnologias como os micro inversores, que já são uma experiência bem sucedida no Estado de Goiás e em outros projetos pilotos. Hoje é possível instalar esses sistemas a um custo competitivo, de modo que o investimento necessário para incorporação dessa tecnologia na habitação popular caiba no orçamento do poder público, trazendo um benefício superior ao investimento realizado. A nossa expectativa é que outros estados sigam essa iniciativa de Goiás e que a medida possa ser incorporada em ações do Governo Federal, que tem o maior programa de habitação de interesse social do país. Esperamos que esse processo ganhe mais força ao longo dos próximos anos.

O senhor poderia citar outros projetos habitacionais?

Rodrigo Sauaia – Vou falar de duas iniciativas desenvolvidas. Na Paraíba, oito residências de idosos incluíram a energia solar fotovoltaica como piloto num projeto que recebeu um prêmio de habitação popular. Tivemos também na Bahia um projeto que incorporou o sistema em edificações multifamiliares na região de Juazeiro. O residencial utilizou a energia solar fotovoltaica e a energia eólica, mas não participava do chamado “Sistema de Compensação de Energia Elétrica”, então os moradores não recebiam crédito de energia e não compensavam a energia pra abater o seu consumo, como ocorre em Goiás. Existe uma ação em desenvolvimento em São Paulo que planeja incorporar a energia solar fotovoltaica em 51 mil residências de interesse social. É um volume muito interessante para os próximos anos e mais um motivo pra nós incentivarmos o Governo do Estado de Goiás a continuar no bom exemplo que tem sido dado, de modo que os números possam avançar de milhares para dezenas de milhares na próxima etapa.

CASA SOLAR – Alto Paraíso – Novo HorizonteQuais os desafios para expansão do mercado da energia solar fotovoltaica?

Rodrigo Sauaia – É um mercado promissor e que está crescendo rapidamente. No início do ano, produzíamos 90 mw da fonte solar fotovoltaica. No final do ano teremos 1000 mw operacionais, um crescimento de mais de 11 vezes no período. O Estado de Goiás tem ainda um potencial inexplorado muito grande para usinas fotovoltaicas de porte maior, mas a gente acredita que o interesse dos empresários tem crescido e que o estado tem plenas condições de participar desse mercado das usinas fotovoltaicas de grande porte.

Em relação aos custos, em quanto a placa solar fotovoltaica encarece uma construção e em quanto tempo esse investimento retorna?

Rodrigo Sauaia – Hoje em dia já é mais barato você gerar energia no telhado da sua residência ou da sua empresa do que comprar essa energia de terceiros. Residências, comércio e prestadores de serviço são os consumidores que pagam a tarifa mais elevada de energia no Brasil. É um sistema que rapidamente recupera o investimento. Para uma residência o prazo de retorno varia de 5 a 6 anos e o investimento é de 15 a 20 mil reais. Para uma residência de interesse social, que consome menos energia elétrica, o investimento é inferior a cinco mil reais e atende a maior parte do consumo da residência. Os equipamentos são robustos, duram em média 25 anos, a manutenção é econômica e se resume à limpeza periódica dos módulos fotovoltaicos que ficam em cima do telhado.

E sobre a ideia de inserir a energia solar fotovoltaica nas escolas, anunciada pelo governador Marconi Perillo, já existem iniciativas nesse sentido no país?

Rodrigo Sauaia – Existem projetos muito positivos na região Sul, em São Paulo e Minas Gerais e isso começa a se espalhar para outras regiões. A vantagem vai além da economia de energia elétrica. Na escola, o sistema vira material de ensino para aulas sobre meio ambiente, economia, matemática, recursos energéticos e ciências. Além de gerar interesse na comunidade escolar que enxerga aquele sistema novo e começa a buscar informações pra fazer uso também na sua residência. O benefício da economia permite à escola realocar o que antes ia pra pagar a conta de energia elétrica, em uma merenda de qualidade, mais professores, funcionários, reforma ou até novas atividades educacionais com os alunos. É um recurso a mais para melhorar a qualidade do ensino da população.

 

 

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