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Brasileiros e europeus estreitam relações em pesquisas sobre biocombustíveis

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O Brasil é um dos expoentes na produção mundial de biocombustíveis. E o País segue na vanguarda do setor, por meio de um edital conjunto entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Comissão Europeia e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), que busca fomentar o avanço de tecnologias capazes de produzir biocombustíveis feitos com biomassa lignocelulósica em larga escala.

A biomassa lignocelulósica é representada, essencialmente, pelas frações vegetais que não servem para a alimentação humana, como a celulose e a lignina.

Na última semana, pesquisadores brasileiros e europeus interessados em submeter projetos colaborativos participaram de um workshop para discutir possibilidades de cooperação entre as partes. O evento também serviu para que fossem identificados pontos de sinergia a serem explorados pelos centros de pesquisa. “Biocombustíveis é uma boa maneira de reduzir emissões e produzir riqueza no Brasil. Esta é a primeira oportunidade e, se tivermos bons resultados, talvez tenhamos outra chamada”, destacou o coordenador-geral de Tecnologias Setoriais do MCTI, Eduardo Soriano.

O edital

A Chamada Conjunta Brasil-União Europeia em Biocombustíveis Avançados terá recursos da ordem de 10 milhões de euros. As propostas para a execução de projetos serão recebidas pelo comitê do edital entre os dias 11 de maio e 8 de setembro de 2016. Os times brasileiros e europeus devem apresentar propostas de pesquisa alinhadas, com início na mesma data e com a mesma duração, de até cinco anos.

No caso das propostas submetidas no Brasil, é necessário que um dos pesquisadores principais seja do estado de São Paulo e que outros dois pesquisadores principais sejam de unidades federativas diferentes, apoiados pelas respectivas fundações de amparo à pesquisa participantes da chamada. Também é obrigatória a adesão de pelo menos uma empresa no projeto, comprometida a financiar 50% dos custos de pesquisa do lado brasileiro. A Comissão Europeia vai investir de três a cinco milhões de euros e haverá uma contrapartida equivalente em esforço de pesquisa no lado brasileiro.

“O essencial é que haja um esforço de pesquisa comparável dos dois lados, europeu e brasileiro, mesmo que os custos em reais sejam menores”, avaliou o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz.

As propostas serão focadas em três vertentes: gaseificação de bagaço para produção de gás de síntese e biocombustíveis líquidos, incluindo biocombustíveis para aviação; pesquisa aplicada à logística de produção de biomassa e pesquisa aplicada para a diversificação de matéria-prima para biocombustíveis avançados; e desenvolvimento de novas tecnologias de fermentação e de separação para biocombustíveis líquidos avançados e pesquisa aplicada para aumentar a eficiência energética de processos de biocombustíveis avançados.

A chamada pública é parte do Horizon 2020, programa da União Europeia para Pesquisa e Inovação. Iniciada em 2014, a proposta prevê investimentos de 80 bilhões de euros ao longo de sete anos. O chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia, Piero Venturi, destacou o histórico da colaboração no setor entre o Brasil e os europeus.

“Nos dois primeiros anos do programa, tivemos diversas chamadas na área de bioenergia e aprendemos algumas lições. Entendemos que é preciso trabalhar mais com nossos parceiros por meio de colaborações internacionais”, afirmou Venturi.

Visitas técnicas

Os pesquisadores e autoridades também participaram de visitações e reuniões técnicas em instituições de ensino e pesquisa que desenvolvem pesquisas em rotas avançadas para a produção de biocombustíveis. Entre as instalações visitadas estavam o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Bioetanol e o Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), situados em São Paulo (SP). Também foram visitados centros de pesquisa e universidades nas cidades de Piracicaba (SP) e Campinas (SP). MCTI e Agência Fapesp