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Biogás/Projeto de microgrid ajudará na segurança energética no Paraná

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A energia gerada por biogás agora poderá ser distribuída e permitir a mobilidade energética dos produtores. Está em desenvolvimento no Oeste do Paraná, na Granja São Pedro, localizada em São Miguel do Iguaçu, o projeto pioneiro de microgrids ou microrredes, que como o próprio nome sugere, são pequenas redes de produção e distribuição de energia, compostas por cargas, geradores, dispositivos de armazenamento (baterias) e outros elementos, que podem ser operadas de forma isolada ou integradas ao sistema de distribuição local.

A novidade é desenvolvida em parceria entre a Itaipu Binacional, Companhia Paranaense de Energia (Copel) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). A previsão da conclusão do projeto é em março de 2020, com investimento total de R$ 3.073.670,03, que é composto por equipamentos e mão de obra para a pesquisa e desenvolvimento.  Todo o recurso é financiado pela Itaipu.

O local

A Granja São Pedro, de propriedade de Pedro Antônio Colombari, já é conhecida por ser a base do desenvolvimento desta energia renovável a partir de dejetos de animais. A propriedade rural entrou para a história há cerca de dez anos, como pioneira na produção de eletricidade a partir do biogás gerado com resíduos da criação de suínos. Atualmente, a Granja produz 14.820 kWh/mês, com cinco mil suínos de terminação. Com esta produção de energia economiza em média R$ 6 a 7 mil reais por mês.

Além desta economia na propriedade rural, ainda sobra 50% da produção, que agora, com a implementação do projeto de microgrid, poderá compensar a energia na propriedade e em outras três casas do produtor.

Pedro Antônio Colombari explica que a participação no projeto traz grandes benefícios para a propriedade, como a atualização de algumas partes do sistema de geração de energia, além da oportunidade de prestar um novo tipo de serviço, que é atender outras 15 propriedades rurais – a maioria de aviários – localizadas nas proximidades, em situações de interrupção no fornecimento da rede pública.

Ele complementa que produzir a própria energia é garantia de segurança energética. “Descentralizamos o abastecimento de energia; deixamos de gastar com energia e, agora, conseguimos utilizar os créditos gerados em outras propriedades”, pontua. O produtor ainda ressalta que há garantia da continuidade da produção da propriedade, que é a suinocultura de terminação e permite sobrevida dos animais em caso de ausência de energia, uma vez que a nutrição, climatização, abastecimento de água, são mantidas independentemente do fornecimento de energia da concessionária, no caso, a Copel.

O projeto

O superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Paulo Afonso Schmidt, explica que os microgrids constituem um dos campos mais promissores no desenvolvimento tecnológico nos próximos anos, por sua importância estratégica e por viabilizar o aproveitamento de diferentes fontes renováveis – como biogás, solar e eólica -, como alternativas para garantir segurança energética associada ao do conceito de geração distribuída ou descentralizada.

O projeto na Granja São Pedro está em etapa de aquisição dos componentes. Ainda há uma fase de mapeamento geoelétrico, que será realizada pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), com o objetivo de identificar novos arranjos espaciais para o microgrid. A implantação está prevista iniciar em julho deste ano.

De acordo com Schmidt, a viabilização do projeto se deve a novas tecnologias que vêm permitindo a adoção de sistemas inteligentes, que possibilitam integrar de forma eficiente as diferentes fontes renováveis em microgrids, além de conectar estas à rede de distribuição, permitindo aos produtores vender o excedente de energia à distribuidora, segundo o modelo vigente criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Como é pioneiro, ainda não há legislação em vigor para o sistema de microrredes. Segundo a CIBiogás, esta execução será fundamental para a  elaboração de proposições regulatórias, que poderão servir de base à Agência Nacional de Energia Elétrica  (Aneel), que é o agente regulador, para avanço da legislação. Devido a esta ausência de regras, o projeto é realizado em parceria com a Copel, já que a Companhia autoriza e colabora para a expansão do conceito.

Em uma próxima etapa, para os próximos 48 meses, o projeto prevê uma unidade de maior porte, com a distribuição de 500 kW, em Marechal Cândido Rondon, com investimento previsto de R$ 15 milhões. A parceria também prevê, para o futuro, investimentos em laboratórios e pesquisas em microrredes, a implantação de unidades-piloto de geração de energia elétrica em diferentes escalas e a participação de municípios da região. Para a escolha dos municípios levou em consideração a grande concentração de rebanhos, principalmente de suínos, e a localização às margens do reservatório de Itaipu, reduzindo-se assim o potencial poluente dessas atividades.

“Como a principal atividade econômica do Oeste Paranaense se concentra na produção de proteína animal, a partir da criação de aves, suínos, peixes e laticínios, a região tem na oferta de energia elétrica, confiável e de qualidade, um dos insumos mais importantes ao seu desenvolvimento”, explica Schmidt.

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia